Mar
16
2018

RJ tem 12 horas seguidas de protestos por Justiça

Ao longo de todo o dia, milhares de pessoas participaram das manifestações por conta do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes - ambos assassinados na véspera em uma via no Estácio, no início da Zona Norte do Rio.

 

 

Faz doze horas que milhares de pessoas se manifestam, nessa quinta-feira (15), exigindo justiça para a execução da jovem vereadora do Rio de Janeiro e militante dos movimentos sociais Marielle Franco – a mulher mais votada na última eleição municipal – e do motorista Anderson Gomes. O crime aconteceu na noite de quarta-feira, 14 de março de 2018, na rua Joaquim Palhares (Estácio).

Desde às 10h30min, as escadarias da Câmara dos Vereadores foram tomadas por pessoas consternadas e indignadas.

Ao final da tarde, manifestantes seguiram para as escadarias da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - Alerj, gritando palavras de ordem, repudiando a intervenção militar no Rio de Janeiro e as atrocidades cometidas pelos governos de Marcelo Crivella, Luiz Fernando Pezão e de Michel Temer. “Nossa democracia está amputada e violentada; essa intervenção federal no RJ é, na verdade, uma intervenção contra a classe trabalhadora, representada por Marielle Franco – negra, favelada, diplomada e vereadora”, disse a pesquisadora Virgínia Fontes à reportagem da Aduff-SSind, durante o ato.

Para Virgínia, a execução de Marielle é um recado da extrema direita, que acredita poder fazer o que quer impunemente. A docente entende que somente com mobilização e a organização dos trabalhadores é possível dar uma resposta ao avanço das diversas manifestações fascistas na sociedade. “As ruas ocupadas, no dia de hoje, em todo o Brasil, provam que é possível”, disse à imprensa da Aduff.

Ao cair da noite, mais pessoas foram se juntando ao grupo, que retornou à Cinelândia e, até às 22h, ainda havia pessoas em vigília. Protestam contra a tentativa de silenciar a jovem vereadora, recentemente escolhida uma das relatoras da comissão instalada na Câmara municipal para acompanhar a atuação das Forças Armadas durante intervenção. Também havia feito, há cerca de duas semanas, denúncias nas redes sociais referentes à forma violenta como a Polícia Militar teria atuado em uma operação na favela de Acari.

Na véspera do assassinato, postou uma mensagem no Twitter sobre a morte de um morador de uma favela na cidade. "Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da Igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?", perguntou.

DA REDAÇÃO DA ADUFF
Por Aline Pereira e Hélcio Duarte
Fotos: Luiz Fernando Nabuco