Out
01
2025

Após pressão, UFF rompe convênio com universidade israelense Ben Gurion (BGU)

Em reunião nesta quarta (01), Conselho Universitário da UFF aprovou moção de apoio à Flotilha da Liberdade, iniciativa internacional que busca romper o bloqueio de Israel e levar ajuda humanitária aos palestinos em Gaza. Na quinta (02), ato no Rio de Janeiro se soma às manifestações em todo o mundo, em apoio à “Global Sumud Flotilha”. Concentração é às 16h, em frente ao IFCS/UFRJ 

Após pressão do movimento estudantil da UFF, a Administração Central da Universidade rompeu unilateralmente o convênio firmado com a Universidade Ben Gurion (BGU), instituição israelense que mantém parcerias com o Ministério da Defesa de Israel e com empresas do setor militar, diretamente envolvidas na fabricação de armas utilizadas em Gaza.

O rompimento do convênio e o apoio à “Global Sumud Flotilha”, também conhecida como “Flotilha da Liberdade Global”, foram pautas centrais do ato unificado dos três segmentos, realizado na segunda-feira (29), no campus do Gragoatá, em Niterói, e do acampamento estudantil convocado pelo DCE- UFF Fernando Santa Cruz.

Na manifestação, a entidade discente recolheu assinaturas para o abaixo-assinado que seria apresentado na reunião do Conselho Universitário (CUV) nesta quarta-feira (01), exigindo o fim do acordo com o Estado genocida de Israel.

Após o ato, a entidade representativa dos estudantes ainda encaminhou uma carta à reitoria da UFF, listando todas as denúncias internacionais feitas contra a Ben-Gurion. Entre elas, a construção de um campus tecnológico militar adjacente à universidade, cujo objetivo declarado é reforçar as capacidades operacionais do exército.

“A própria fundação da BGU, em 1972, fez parte da estratégia de militarização do deserto do Naqab, marginalizando comunidades beduínas palestinas nativas. A BGU faz parte do genocídio. É com essa universidade que queremos ter relações?”, questionou, no documento, a diretoria do DCE-UFF.

A Aduff endossou a reivindicação que seria levada para o CUV e destacou que a ruptura de convênios das universidades brasileiras com Estado de Israel é deliberação congressual do Andes-SN. 

Desde 2003, o Sindicato Nacional tem aprovado deliberações pelo engajamento das e dos docentes nos comitês de luta em solidariedade ao povo palestino e de boicote ao Estado de Israel. Em 2024, durante o 42º Congresso da entidade, foi aprovada a moção "Não é guerra, é genocídio!", reforçando o apoio à luta palestina. No mesmo ano, no 67º Conad, foi decidido que o ANDES-SN lutará pelo rompimento das relações diplomáticas e comerciais entre o Brasil e Israel, destacando a relação entre os acordos militares de Israel e a militarização das periferias no Brasil.

Diante do peso das denúncias e da mobilização estudantil e sindical, a Reitoria da UFF não esperou que o tema fosse pautado em reunião do Conselho Universitário e determinou o rompimento imediato do convênio.

Conselho Universitário aprova moção de apoio à “Flotilha da Liberdade”

Na reunião do CUV, realizada nesta quarta-feira (01), conselheiros estudantis comemoram a decisão da UFF de revogar o convênio e voltaram a frisar a importância do apoio e do compromisso de toda a comunidade universitária com a autodeterminação dos povos e com a Palestina Livre.

“A revogação não se deu à toa e foi fruto da luta estudantil e da união do movimento estudantil com o movimento sindical. O Estado genocida de Israel não pode ter espaço na universidade. Esse é um passo fundamental da nossa luta em solidariedade ao povo palestino, que segue com a pressão para que o Estado brasileiro rompa todas as relações com Israel”, apontou Rodrigo Camilo, estudante da UFF de Volta Redonda e diretor do DCE-UFF, proponente da moção de apoio à Global Sumud Flotilha.

Por unanimidade, conselheiros e conselheiras aprovaram, em reunião nesta quarta (01), uma moção de apoio do Conselho Universitário à “Global Samud Flotilla”, também conhecida como “Flotilha da Liberdade Global”. A iniciativa internacional é composta por embarcação de mais de 40 países, que se dirigem à Gaza com o objetivo de romper o bloqueio ilegal israelense, denunciar o genocídio em curso e levar alimentos e suplementos médicos à população palestina. Quinze brasileiros participam da iniciativa, entre eles o carioca e ex-diretor do Sepe, Nico Calabrese.

“A flotilha representa um gesto de coragem e compromisso humanitário diante dessa barbárie. Hoje, 100% da população de Gaza vive em níveis graves de insegurança alimentar. Centenas já morreram de fome, incluindo crianças. A tentativa de silenciar e de isolar o povo palestino é uma afronta à dignidade humana e não pode ser normalizada pela comunidade internacional”, afirma a moção, que ainda destaca que “o compromisso com a luta por justiça, dignidade, humanidade, por direito à autodeterminação e pela liberdade dos povos devem ser sempre pilares fundamentais de sustentação da nossa universidade”.

De olho na flotilha! No Rio, ato se concentra às 16h, em frente ao IFCS/UFRJ

Na quinta-feira (02), à medida que o comboio se aproxima de Gaza, manifestações em todo o mundo cobram que as embarcações e seus integrantes sigam em segurança e consigam concluir a missão humanitária. No Rio, o ato se concentra a partir das 16h, em frente ao IFCS/UFRJ. A diretoria da Aduff-SSind convida toda a comunidade universitária da UFF a participar dos atos!

 Da Redação da Aduff | por Lara Abib

Additional Info

  • compartilhar: