
Em meio ao aprofundamento da limpeza étnica e da política genocida de Israel contra o povo palestino, a UFF firmou, em julho deste ano, novo convênio com a Universidade israelense Ben Gurion (BGU). Alegando que a decisão foi realizada “por debaixo dos panos”, sem passar pelo Conselho Universitário (CUV) e de que o “silêncio diante de um genocídio significa cumplicidade”, conselheiros(as) estudantis que integram o Diretório Central dos Estudantes da UFF irão pautar, na próxima reunião do CUV, a revogação de todos os convênios da instituição com o Estado de Israel.
A reunião acontece a partir das 9h, na quarta-feira (01), exclusivamente online, com transmissão ao vivo pelo canal da UFF no Youtube.
O movimento estudantil da UFF argumenta que a BGU mantém parcerias com o Ministério da Defesa de Israel e com empresas do setor militar diretamente envolvidas na fabricação de armas utilizadas em Gaza. Também destaca a construção de um campus tecnológico militar adjacente à universidade, cujo objetivo declarado é reforçar as capacidades operacionais do exército.
“A própria fundação da BGU, em 1972, fez parte da estratégia de militarização do deserto do Naqab, marginalizando comunidades beduínas palestinas nativas. A BGU faz parte do genocídio. É com essa universidade que queremos ter relações?”, questiona o DCE-UFF, em documento amplamente divulgado em suas redes sociais.
Ruptura de convênios das universidades brasileiras com Estado de Israel é deliberação congressual do Andes-SN
A diretoria da Aduff-SSind endossa a reivindicação discente pela revogação de todos os convênios entre a UFF e o Estado de Israel. A ruptura de convênios das universidades brasileiras com Estado de Israel é deliberação congressual do Andes-SN. Em moção aprovada no 43° Congresso, realizado em janeiro deste ano, em Vitória (ES), o Sindicato Nacional reafirma "a importância da campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) em todos os setores, especialmente nas universidades" e defende "a ruptura de todos os convênios das universidades brasileiras com o Estado de Israel".
Ao mesmo tempo, enfatiza "a necessidade de que as instituições públicas de ensino promovam parcerias com universidades palestinas, contribuindo para a reconstrução de Gaza e da Cisjordânia e fortalecendo nossos laços de solidariedade internacionalista. O ANDES-SN deve se empenhar em uma ampla campanha de solidariedade pela reconstrução da Palestina, buscando diálogos com outras entidades que compartilham desse compromisso humanitário e internacionalista com o povo palestino”, afirma, em documento que pode ser lido na íntegra aqui.
Desde 2003, o Sindicato Nacional tem aprovado deliberações pelo engajamento das e dos docentes nos comitês de luta em solidariedade ao povo palestino e de boicote ao Estado de Israel. Em 2024, durante o 42º Congresso da entidade, foi aprovada a moção "Não é guerra, é genocídio!", reforçando o apoio à luta palestina. No mesmo ano, no 67º Conad, foi decidido que o ANDES-SN lutará pelo rompimento das relações diplomáticas e comerciais entre o Brasil e Israel, destacando a relação entre os acordos militares de Israel e a militarização das periferias no Brasil.
No 68° Conad, realizado em julho deste ano, em Manaus (AM), além de buscar mecanismos de solidariedade e apoio a estudantes palestinos no Brasil, o evento também aprovou que o Sindicato Nacional incentive as Seções Sindicais a adotarem iniciativas para concretizar as deliberações em relação à campanha BDS - Boicote, Desenvolvimento e Sanções (BDS).
“UFF se decida, ou apóia a Palestina ou o Estado genocida!”
Essa foi uma das palavras de ordem cantadas durante o ato em solidariedade ao povo palestino, realizado na segunda (29), pelos três segmentos da UFF, em frente ao Restaurante Universitário do Gragoatá, em Niterói. Entre as pautas centrais estava a ruptura do convênio entre a UFF e Universidade Ben Gurion, com recolhimento de assinaturas para o abaixo-assinado que será apresentado no CUV, e o apoio a "Global Sumud Flotilla", que tenta chegar a Gaza com ajuda humanitária.
Além de violar o acordo de cessar-fogo, o governo de Benjamin Netanyahu tem utilizado a fome como arma de guerra, promovendo um bloqueio que ameaça a vida de mais de 2 milhões de pessoas em Gaza.
A manifestação, que integra uma semana de atividades promovida pelo DCE-UFF sobre a Palestina, também faz parte da pressão para que o governo brasileiro se junte às demais nações que aplicaram sanções ao regime israelense e rompa as relações diplomáticas e comerciais com o estado de Israel. O ato foi definido em reunião dos três segmentos, realizada no dia 19 de setembro, na sede da Aduff.

Presente na manifestação, a presidente da Aduff-SSind, Maria Cecília de Castro convidou toda a comunidade universitária para a luta em defesa do Estado e do povo palestino. “Esse ato diz muito sobre a necessidade que se tem de reconhecer o Estado Palestino e que a Palestina seja livre. Repudiamos o massacre promovido por Israel e todos os ataques à legitimidade desse povo. Crianças, jovens, mulheres, todo um povo está morrendo vítima de um genocídio. Não podemos nos silenciar, nem sermos coniventes de nenhuma forma. Nem bomba, nem tanque, nem avião no céu! UFF corte agora o apoio a Israel”, afirmou.
Da Redação da Aduff | por Lara Abib







