Jul
03
2025

Unirio pautou a criação da Comissão da Verdade e realizou homenagem póstuma aos estudantes assassinados pelo regime, conta Rodrigo Castelo Branco

Rodrigo Castelo Branco Santos, professor do curso de Serviço Social e presidente da seção sindical dos docentes da Unirio, foi um dos participantes do debate "A Ditadura e as Universidades Públicas do Rio de Janeiro", realizada no campus da UFF em Niterói, no dia 25 de junho. O evento foi organizado pela diretoria da Aduff e pelo Grupo de Trabalho em História do Movimento Docente (GTHMD) da seção sindical.

A atividade também contou com a participação de Ana Beatriz de Oliveira (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ); Rafael Brandão (Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ); Rafael Vieira (Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ) e Wanderson Melo (Universidade Federal Fluminense - UFF), professores e especialistas no tema. Foi mediada por Joana D'Arc Ferraz, dirigente do sindicato de professores e professoras da UFF e coordenadora do GTHMD da Aduff.

Rodrigo distribuiu algumas cópias do material "Ditadura, autoritarismo e refundação da Unirio em bases democráticas - 60 anos do golpe", com pesquisa de Bruno Marinoni e publicado pela gestão 2023-2025. O docente recuperou a criação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, em 1969, como Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado da Guarabara (Fefieg), cujo primeiro reitor foi o militar Alberto Soares de Meirelles – evidenciando, à época, a ligação orgânica entre a instituição e a ditadura.  

"A ditadura tinha um projeto para as Universidades, que passa pela Reforma Universitária; mas temos a hipótese inicial, em nossas pesquisas preliminares, de que a ditadura tenta fundar um novo modelo de Universidade e não consegue. Mas com a Unirio, persistiu. Em 1979, a Fefieg passa a se chamar Unirio. E durante os dois primeiros anos, Guilherme de Figueiredo, irmão do ditador João Baptista de Figueiredo, foi o reitor", revelou.

Para ele, a Unirio tem um traço muito particular em relação às outras universidades do Estado do Rio de Janeiro, a exemplo de UFF, UFRRJ e UFRJ. "Enquanto tentaram enquadrar as outras instituições, em meio à resistência de estudantes, docentes e técnicos, a Unirio passa por fora disso e vem desse modelo de Federações. Há uma cultura institucional da Unirio um peso muito grande do autoritarismo e de toda essa dificuldade que temos para construir elementos mais básicos de democracia interna. Isso perdura até hoje", considerou.

Rodrigo contou também sobre momentos violentos envolvendo a comunidade durante a ditadura, a exemplo da invasão efetuada pela polícia militar, em 1972, no Instituto Vila Lobos e na Escola de Teatro, que eram localizadas no Flamengo, no antigo prédio da União Nacional dos Estudantes. Falou sobre a participação dos estudantes Elmo Corrêa, Lucia Maria Sousa e Luiz Renê Silveira e Silva, da Escola de Medicina e Cirurgia, que foram assassinados no Araguaia pelas forças de repressão. "Nos arquivos da Unirio, não constam as fichas desses estudantes; sumiram com as fichas deles", afirmou.

A partir da união dos três segmentos da Universidade, a Unirio pautou a criação da Comissão da Verdade, Memória, Justiça e Reparação. "Contatamos as famílias e conseguimos conceder um título simbólico de graduação a Lucia Maria, ao Elmo e ao Luiz Renê. Foi uma das coisas mais lindas que já vi dentro da Universidade. Uma das famílias disse que esse era o único documento que tinha sobre o ente querido, uma diplomação póstuma - o que foi uma dificuldade enorme para conseguirmos. Para o Estado, é como se essas pessoas não tivessem existido", revelou.

Para ver o exato momento da participação de Rodrigo Castelo Branco, clique aqui

Da Redação da Aduff
Foto: Gabriel Rivas