Jul
03
2025

"A monumentalização ajudaria na luta por memória, verdade, justiça e reparação na UFRRJ", diz Ana Beatriz

"A Ditadura e as Universidades Públicas do Rio de Janeiro" foi o tema em debate, realizado no dia 25 de junho e organizado pela diretoria da Aduff e o Grupo de Trabalho em História do Movimento Docente (GTHMD) da seção sindical. A atividade foi realizada no campus do Gragoatá, na UFF em Niterói, com transmissão ao vivo no canal do Sindicato no You Tube. 

Contou com a participação de Ana Beatriz de Oliveira (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ); Rafael Brandão (Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ); Rafael Vieira (Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ); Rodrigo Castelo (Universidade Federal Estado do Rio de Janeiro - Unirio) e Wanderson Melo (Universidade Federal Fluminense - UFF), professores e especialistas no tema. A atividade foi mediada por Joana D'Arc Ferraz, dirigente da Aduff e coordenadora do GTHMD local.

Ana Beatriz apresentou a pesquisa "Nas Guaritas da Universidade Pública", que analisa os aparatos repressivos na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, um dos muitos espaços de circulação de conhecimento e de debates com relevância social. Comentou a exoneração do reitor Ydérzio Luiz Vianna, considerado simpatizante do comunismo e acusado de subversão, por Frederico Pimentel Gomes - um aliado dos militares e da conjuntura golpista. 

A pesquisadora mencionou o impacto que a Reforma Universitária e o Ato Institucional nº5, ambos de 1968, tiveram para o cotidiano acadêmico, auxiliando na capilarização do aparato militar no campus, garantindo maior controle na vida na instituição. Contaram com as Assessorias de Segurança e Informação, como um braço do Serviço Nacional de Informações (SNI), que interferiam inclusive na contratação de docentes e técnicos, elaborando fichas de qualificação desses profissionais. 

"Eles analisavam questões partidárias, posição política, se era auto declarado de esquerda, se era filiado ao PCB, se tinha participado em um protesto...", disse a Ana Beatriz. "Eles não deixavam ninguém de fora. Mânlio Garibaldi, um reitor militar, também foi investigado por subversão. Na ficha dele, afirmaram que ele sabia da livre circulação de livros marxistas no campus universitário - o que era proibido. Ele foi acusado de conduta complacente", disse.  

Ana Beatriz sinalizou a relevância do tema para o Tempo Presente, considerando a importância da memória histórica. Criticou o fato de a UFRRJ não contar com uma única placa que explicite que no prédio principal da instituição, conhecido como P1, houve a tortura de dois estudantes à época dos "anos de chumbo". A monumentalização, de acordo com a pesquisadora, ajudaria no na luta por memória, verdade, justiça e reparação, pois, como sinalizou, até os dias atuais não houve a responsabilização dos militares e demais envolvidos nos crimes perpetrados pela ditadura brasileira. 

Para ver a participação de Ana Beatriz no debate, clique aqui 

Da Redação da Aduff
Foto: Gabriel Rivas, com edição Aduff
Cedida gentilmente pelo fotógrafo