“O Congresso do ANDES-SN é um momento fundamental para planejar as lutas e reafirmar o sentido de Sindicato Nacional para o conjunto da categoria”, definiu Eblin Joseph Farage, professora da Escola de Serviço Social da UFF, ex-presidente da Aduff (2012-2014) e ex-presidente do Andes-SN (2016-2018).
Ela foi uma das 20 pessoas que representaram a delegação da Aduff, eleita em assembleia, durante o 44º Congresso do Sindicato Nacional, realizado em Salvador (BA), entre os dias 2 e 6 de março. Com o tema central “Na capital da resistência, das revoltas dos Búzios e dos Malês: ANDES-SN nas lutas e nas ruas, pela democracia e pela educação pública, contra as opressões e a extrema direita!”, o encontro definiu as principais ações do ANDES-SN para o ano e reuniu 641 docentes de 93 seções sindicais de todo o país.

Delegação da Aduff no 44º Congresso do Andes-SN: Adriana Barbosa (FeUFF); Alessandra Genu (Campos dos Goytacazes); Antoniana Defilippo (Rio das Ostras); Arley Costa (Psicologia); Beatriz Adura (Psicologia); Bianca Novaes (Volta Redonda); Carlos Augusto Aguilar (Coluni); Eblin Farage (Serviço Social); Elizabeth Barbosa (Rio das Ostras); Gelta Xavier (FeUFF); Isabella Pedroso (Coluni); Joana D'Arc Ferraz (Sociologia); José Antônio Souza (Física); Kênia Miranda (FeUFF); Maria Cecília Castro (Coluni); Pablo Nabarrete (IACS); Raul Nunes (FeUFF); Robson Calça (FeUFF); Sonia Lucio Rodrigues (Serviço Social/aposentada); e Susana Maia (Rio das Ostras).
Eblin destacou que um dos momentos mais marcantes foi o reconhecimento e a explicação, para docentes de todo o Brasil, da oposição que se constituiu na Universidade Federal da Bahia (UFBA) contra a PROIFES-Federação, em defesa do ANDES-SN, como um coletivo organizado.
“Também debatemos de forma consistente o plano de lutas dos setores, além da política educacional e da formação sindical”, disse a professora, lembrando que o Congresso foi estruturado em quatro plenárias temáticas: análise de conjuntura; lutas por setor (federais e estaduais/municipais/distritais); lutas gerais; e questões internas do ANDES-SN.
No entanto, devido à grande quantidade de textos e resoluções, alguns aspectos não puderam ser debatidos. Por isso, o ANDES-SN realizará, em novembro, um Conad Extraordinário dedicado à discussão sobre a organização e as finanças do Sindicato Nacional.
Para Eblin Farage, essa realidade, que persiste há alguns anos — mesmo após mudanças na metodologia do Andes-SN — precisa ser encarada como um desafio para o conjunto do Sindicato Nacional. “Avançar na nossa organização é um passo fundamental para ampliar as conquistas da categoria”, considerou a professora.
Espaço de formação política e interlocução
Diretora da Aduff e professora do Instituto de Psicologia, Beatriz Adura Martins participou do congresso do Andes-SN pela primeira vez. De acordo com ela, foi possível compreender a dimensão do Sindicato Nacional e a importância de tratar com seriedade as pautas da categoria. "A experiência mostrou como o sindicato tem influência no debate público e na defesa da universidade pública socialmente referenciada, com garantia de direitos para seus trabalhadores e trabalhadoras", afirmou.
A participante destacou também a complexidade das discussões realizadas no evento nacional do Andes-SN, que vão além das questões formais da carreira docente. “Percebi que nossas pautas não são apenas sobre o direito formal do professor e da professora, mas sobre a nossa própria existência", disse. "É preciso reforçarmos a importância de manter uma organização forte para enfrentar esses desafios da conjuntura", complementou.
Para ela, a experiência também trouxe novos elementos para refletir sobre as pautas locais da Aduff, pensando o fortalecimento da seção sindical a partir do diálogo com docentes de diferentes regiões e realidades do país.
O professor Pablo Nabarrete Bastos, do Instituto de Arte e Comunicação Social, também participou pela primeira vez de um congresso do Andes-SN. Ele, que integra o Grupo de Trabalho em Comunicação e Artes (GTCA) da Aduff, avaliou a experiência como um importante processo de formação política e destacou os estudos realizados previamente pela delegação da Aduff. O docente se refere ao Seminário Preparatório, realizado em Niterói, quando a delegação se dedicou à leitura e ao debate do Caderno de Textos do 44º Congresso antes de participar do evento nacional.
“Tivemos dois dias inteiros de seminário, nos quais discutimos e votamos internamente cada Texto de Resolução. Assim, chegamos ao Congresso realmente bem preparados e alinhados com o que foi deliberado em nossa assembleia. Durante o seminário, lemos e avaliamos cada TR, definindo se a posição seria pela aprovação, pela supressão ou por modificações”, contou Pablo Nabarrete.
O professor lembrou que os pontos que não alcançaram consenso no seminário foram encaminhados para deliberação na assembleia. “Dessa forma, toda a delegação chegou ao Congresso do Andes-SN já conhecendo previamente os Textos de Resolução”, considerou Pablo.
Ele também avaliou que há aspectos do método congressual que podem ser repensados, discussão que, segundo Pablo, já vem sendo feita com colegas.
“Assim como há uma divisão para estudo dos Textos de Resolução e votação nos grupos mistos, acredito que esse procedimento poderia ocorrer também nas plenárias. Dessa forma, todos poderiam avaliar, votar e se posicionar sobre as TRs que não alcançaram consenso nos grupos mistos — ou seja, aquelas que não foram nem aprovadas integralmente nem totalmente suprimidas”, sugeriu. “Por conta disso, muitos TRs — inclusive alguns nos quais eu poderia ter contribuído mais, especialmente nas áreas de Ciência, Arte, Cultura e Comunicação — nem chegaram a ser debatidos. Acho que há aspectos do método que poderiam ser repensados. De toda forma, pretendo continuar participando e, nas próximas ocasiões, contribuir também com esse debate sobre o próprio método”, completou Pablo Nabarrete.
Entre as deliberações do 44º Congresso, o professor destacou a forte perspectiva internacionalista do Andes-SN, ressaltando as resoluções de solidariedade aos povos que enfrentam pressões geopolíticas, como Cuba, Venezuela e Irã, reforçando a articulação entre trabalhadores e movimentos sindicais de diferentes países.
Para ele, essa postura é fundamental diante do avanço do capital e de projetos autoritários no mundo. “O internacionalismo é uma perspectiva fundamental de luta da classe trabalhadora. É uma forma de se opor à universalidade do capital e também ao fascismo e o proto fascismo nacionalista que vemos crescer em diversos países, inclusive no Brasil e em outros da América Latina”, afirmou.
Pablo apontou também as deliberações que envolvem as lutas anticapacitistas, com a proposição de políticas mais consistentes em relação à acessibilidade de estudantes e trabalhadores e trabalhadoras na Educação. Ele se refere às deliberação para que o ANDES-SN e suas seções sindicais cobrem das Instituições de Ensino Superior (IES) a garantia de contratação de Tradutores e Intérpretes de Libras (TILS) exclusivamente por meio de concurso público, pelo Regime Jurídico Único, com garantias de condições adequadas de trabalho nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão acadêmica.
O docente revelou que tem o interesse em conhecer mais o funcionamento do sindicato e contribuir com o debate, destacando que tem se envolvido cada vez mais nas atividades sindicais, que devem ser valorizadas pela categoria. “Volto com um olhar muito mais amplo e consistente sobre as diversas lutas do sindicato, muitas delas fora do meu cotidiano. Passei a conhecer pautas específicas da Educação, como a Lei de Diretrizes e Bases e debates sobre formação educacional. Também tive contato com temas da Carreira Docente, entre outros aspectos que foram importantes para ampliar meu conhecimento”, avaliou.







