Jul
16
2023

'Mantivemos o Andes vivo e atuante num momento difícil e de dor', diz Rivania

Professora Rivânia Moura destacou, no discurso que fez pouco antes de o  66º Conad dar posse à próxima diretoria do Andes-SN, as lutas travadas na pandemia, entre elas a que barrou a 'reforma' Administrativa de Bolsonaro, que definiu como um presidente fascista e negacionista da extrema-direita 

A professora Rivânia Moura, pouco antes de concluir a gestão, na mesa de abertura do Conad, em Campina Grande A professora Rivânia Moura, pouco antes de concluir a gestão, na mesa de abertura do Conad, em Campina Grande / Andes-SN

Da Redação da Aduff

Doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Rivânia Moura recordou os momentos difíceis e de dor vividos pela classe trabalhadora do país durante o longo período da pandemia da covid-19. 

Ao discursar pouco antes de a próxima diretoria do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior tomar posse, a ainda então presidenta da entidade ressaltou que a maior parte da gestão que encerrava seu mandato transcorreu durante momentos de isolamento social. Fez um discurso emocionado.

Apesar das dificuldades, disse, a gestão cumpriu o objetivo de defender a Educação e os serviços públicos. "Assumimos a diretoria do Andes-SN em um momento extremamente difícil mundialmente e no Brasil. Período de profunda dor em decorrência da pandemia, conjugada com um governo de extrema-direita, negacionista, fascista, que fez com que vivêssemos um cenário extremamente difícil para a classe trabalhadora no nosso país, com a negação da vacina e a negação do isolamento social", observou a docente, cuja diretoria foi empossada em dezembro de 2020, numa cerimônia política virtual, em um dos momentos mais graves da pandemia, quando ainda não havia vacinação no Brasil. Foram dois anos e sete meses de gestão, que teve mandato prorrogado por conta justamente da pandemia.

Vacina, 'reforma' Administrativa e Educação pública e gratuita

A campanha pela vacina e pela vida, aliás, foi uma luta que o Andes-SN e suas seções sindicais abraçaram, entre elas a Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense (Aduff-SSind). "Diante desse cenário, conseguimos manter o Andes-SN vivo e atuante em todas as frentes de luta e construímos a mais ampla unidade para enfrentar o fascismo nas ruas", afirmou, no discurso que antecedeu a posse da nova diretoria eleita, na abertura do 66o Conselho do Andes-SN, na sexta-feira (14), na Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba - a pouco mais de 100 quilômetros de João Pessoa, capital do Estado.

Logo em seguida, destacou algumas destas lutas. A mais emblemática para os servidores talvez tenha sido a que barrou a 'reforma' Administrativa (PEC-32) no Congresso Nacional e, consequentemente, também conseguiu impedir os planos do então ministro Paulo Guedes, da Economia, de reduzir nominalmente os salários dos servidores.

"Podemos destacar as lutas em defesa da Educação e as lutas contra a PEC-32 - mesmo no cenário de pandemia, conseguimos nos mobilizar durante 14 semanas em Brasília e tivemos uma vitória, embora parcial, com a não tramitação da proposta", disse, sobre a emenda constitucional que o então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), e o da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tentaram aprovar, em 2021, e não conseguiram.

Também ressaltou a importância no cenário sindical da entidade que representa as professoras e professores nas instituições públicas de nível superior. "Encerramos essa gestão com a certeza de que o Sindicato Nacional continua na direção de seus princípios de autonomia e independência de classe e isso faz com que o Andes-SN seja referência na luta da nossa categoria e da classe trabalhadora no Brasil", destacou.

À próxima diretoria, que na sequência o 66º Conad deu posse para o biênio 2023/2025, desejou sucesso nos enfrentamentos que terão que conduzir. Parabenizou Gustavo Seferian Scheffer Machado, Francieli Rebelatto e Jennifer Webb, professor e professoras que ocupam, respectivamente, os cargos de presidente, secretária-geral e 1ª tesoureira, o chamado triunvirato, e o conjunto dos 82 docentes que integram a chapa eleita em maio passado, num pleito de votação direta e que abrange todas as regiões do país. A nova gestão assume até 2025.

 

"Desejamos à nova gestão, biênio 2023/2025, que tenha muita coragem e força para enfrentar todos os desafios e ataques à classe trabalhadora, à nossa categoria e à educação pública. Uma boa gestão certamente só se faz com toda a nossa categoria, com a nossa base organizada e mobilizada para os enfrentamentos e desafios desse próximo período", disse. 

Da Redação da Aduff
Por Hélcio Lourenço Filho
(com dados da Redação do Andes-SN)

A professora Rivânia Moura, pouco antes de concluir a gestão, na mesa de abertura do Conad, em Campina Grande A professora Rivânia Moura, pouco antes de concluir a gestão, na mesa de abertura do Conad, em Campina Grande / Andes-SN