Educadores e educadoras da rede estadual de ensino no Rio de Janeiro levaram ao Tribunal de Justiça, na quarta-feira (26), uma mensagem, exposta em cartazes, adesivos, panfletos e discursos: ilegal é o salário pago pelo governador do Estado, Claudio Castro, aos servidores e servidores do setor.
A manifestação começou ao final da manhã desta quarta (28) e transcorreu até o final da tarde - acompanhando audiência de conciliação com a presidência do tribunal. A Aduff-SSind e a Regional do Andes no Rio de Janeiro apoiam a luta e a manifestação e vêm chamando a categoria docente das instituições de nível superior a se solidarizar e defender o movimento. Dirigentes da seção sindical e outros professores da UFF participaram do ato.
Por justiça
A mensagem da manifestação sobre a ilegalidade refere-se à decisão da Justiça, que concedeu liminar ao governo do Estado pela ilegalidade da greve. Enquanto isso, dizem os educadores, o governo descumpre a lei nacional que estabeleceu o piso do magistério. O movimento também reivindica um piso salarial para os demais profissionais das escolas, respeito ao plano de cargos e a revogação do Novo Ensino Médio.
O sindicato da categoria, Sepe-RJ, recorreu da decisão judicial no Tribunal de Justiça e tenta levar o litígio ao Supremo Tribunal Federal. Afirma que a liminar busca criminalizar um movimento legítimo e legal.
A professora de Artes Ligia Mefano, da Escola Estadual Reverendo, na Gamboa, chegou cedo ao ato e espera que haja algum avanço e se faça justiça nesta luta: algo que, afirma, não houve nas negociações com o governo de Cláudio Castro desde que a greve começou, em 17 de maio de 2023.
Ao lado da colega Eliane Teixeira, professora do Colégio Chile, levou ao protesto um boneco, com nariz de Pinóquio, representando a tentativa do governador de enganar a população e a categoria, apontando avanços e condições salariais que, afirmam, não encontram eco na realidade.
"É uma forma da gente se manifestar; através da arte a gente consegue chegar mais perto da população. A gente tem que mostrar que a educação é importante e porque as pessoas devem ficar do nosso lado", disse, à reportagem.
A professora ressalta a importância da greve na defesa de uma escola que reconheça o valor dos educadores. "A gente quer voltar [às aulas], mas não quer voltar tendo o pior salário do mundo", disse
A indignação com o que está ocorrendo e o que consideram um desrespeito à categoria estava evidente nas faces das manifestantes. "A gente não compreende como um juiz [decide] pela ilegalidade da greve, quando o que é ilegal é o vencimento dos profissionais da Educação do Rio de Janeiro", disse a professora Eliane. "A gente espera que a Justiça cumpra a lei", resume.
Da Redação da Aduff
Por Hélcio Lourenço Filho e Luiz Fernando Nabuco (fotos)
*Atualizada em 29/6/2023







