Com tema “Reforma Agrária Popular: em defesa da natureza e alimentos saudáveis”, a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária Popular (JURA) completa dez anos de experiências coletivas, que unem movimentos sociais, estudantes, docentes e instituições de ensino na luta pela reforma agrária em todo o país. Ela integra a Jornada Nacional de Luta pela Terra, construída pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e outros movimentos sociais do campo.
Na UFF de Rio das Ostras, as atividades da 10° JURA acontecem nesta quarta (24), num dia inteiro de atividades culturais, de luta e festejos, com realização de feira agroecológica, lançamento de filme, oficinas, rodas de conversa, teatro e o lançamento da página do Núcleo de Estudos em Agroecologia - Coletivo Humanista Autogestionário Interdisciplinar de Agroecologia (NEA CHAIA). Confira a programação completa da UFF Rio das Ostras e se inscreve no link: https://forms.gle/JbEUC8yn1bpEeBDu7
“O que a gente precisa em nosso país é de uma CPI para investigar o agronegócio”
Coordenadora do NEA – CHAIA, a professora da UFF de Rio das Ostras Suenya Santos convida todas, todos e todes para acompanhar a programação da JURA na UFF/RO. A docente destaca que num contexto de instalação da CPI do MST, que tenta criminalizar o movimento, as jornadas assumem uma importância ainda maior e evidenciam a luta permanente na defesa da Reforma Agrária Popular, do meio ambiente e da agroecologia.
“Há 10 anos as universidades públicas brasileiras abraçaram a pauta camponesa, organizando as jornadas em conjunto com o MST e outros movimentos sociais, promovendo feiras agroecológicas, debates, ações, sendo espaços de lutas, festejos e de protagonismo daqueles que produzem alimentos saudáveis para a população, em equilíbrio com a natureza”, afirma.
Para a professora, “o que a gente precisa em nosso país é de uma CPI pra investigar o agronegócio”. Ela ressalta como o modelo de desenvolvimento assentado na degradação ambiental e na superexploração de trabalhadores e trabalhadoras para a produção de commodities tem efeitos socioambientais que aprofundam desigualdades, seja nos territórios rurais ou nos urbanos.
“Tal modelo se traduz em grilagem de terras para ampliação de latifúndios, expropriando comunidades tradicionais de territórios espoliados; no uso abusivo de agrotóxicos; na perda da biodiversidade; no aumento da violência no campo e na cidade; na produção da fome; no aquecimento global. O que devemos investigar são os crimes do agronegócio contra trabalhadores e contra a natureza. É uma piada de muito mau gosto uma CPI cujo relator, Ricardo Salles, liberou a comercialização internacional de madeira ilegal e desmontou a política nacional de meio ambiente, ex-ministro de um governo cujo presidente é acusado de organizar os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023”, friza.
Suenya reitera a importância da JURA e a centralidade do movimento na luta democrática, em um país com desigualdades abissais.
“O MST e outros tantos movimentos camponeses e organizações de comunidades tradicionais vêm enfrentando cotidianamente o agronegócio, produzindo e comercializando alimentos agroecológicos, mesmo sem reforma agrária popular e outras políticas que favoreçam uma agricultura saudável e a construção de relações sociais mais igualitárias e emancipatórias. A JURA é um dia de celebração, de visibilidade e de vivência dessa cultura camponesa que vai habitar o espaço universitário. Esperamos que a universidade continue acolhendo, abraçando, incentivando e fortalecendo essa luta”, diz.
A docente finaliza alertando para o fato de que os grandes latifúndios são uma herança do período colonial, estruturada a partir de relações hierárquicas, classistas, racializadas e misóginas, e chama atenção para o protagonismo das mulheres nesta 10° JURA, em Rio das Ostras.
“O que a gente vem notando é a centralidade do trabalho produtivo e reprodutivo das mulheres agricultoras, tanto na luta pela terra, quanto pela natureza e na produção de alimentos saudáveis. A mulherada está nas místicas, na produção e comercialização de alimentos agroecológicos, assim como na produção de cosméticos e de limpeza. Elas protagonizarão uma apresentação de teatro do oprimido e um documentário com título Saberes que Brotam da Terra”, encerra.
Da Redação da Aduff | por Lara Abib







