Os professores e funcionários administrativos das escolas estaduais do Rio de Janeiro aprovaram greve por tempo indeterminado a partir da próxima quarta-feira, dia 17 de maio. Com grande participação da categoria, a assembleia foi realizada no Clube Municipal (Tijuca). Profissionais da Educação também deliberaram pela realização de nova assembleia no dia 18 de maio, às 14h, no Largo do Machado, com passeata em seguido, sentido Palácio Guanabara.
Os profissionais do estado reivindicam do governador Cláudio Castro a implementação do piso nacional do magistério para os docentes e o piso dos funcionários administrativos tendo como referência o salário mínimo nacional. Além das reivindicações econômicas, a categoria também defende a revogação do Novo Ensino Médio (NEM) e a convocação de concursados para o magistério dos concursos de 2013 e 2014 e de inspetores de alunos do concurso de 2013, além da abertura de novos concursos para suprir a carência de profissionais nas escolas e para as funções de assistente social e psicólogos, como resposta ao aumento da violência no interior do espaço escolar.
Pior salário do Brasil
De acordo com o Sindicato estadual dos profissionais de educação do estado do Rio de Janeiro (Sepe), o Rio de Janeiro paga o pior salário do Brasil para os educadores da rede estadual. Enquanto o piso nacional é de R$ 4.420, o professor de uma escola estadual tem um piso de R$ 1.588 como vencimento base (18 horas semanais). Os funcionários administrativos (serventes, merendeiras, porteiros, inspetores de alunos etc), em sua maioria, recebem um piso menor do que o salário mínimo (R$ 802,00).
Em reunião com a secretária estadual de Educação, Roberta Pontes, e representantes da Casa Civil, na quarta-feira (10), o governo apresentou ao Sepe seu projeto de incorporar o piso nacional do magistério. No entanto, o projeto do governo não incorpora o piso a todas as carreiras. De acordo com o Sindicato da categoria, a proposta do governo só reajusta os salários que estão abaixo do piso. Com isso, quem ganha acima do piso não receberia nenhum reajuste. Além disso, pelo projeto do governo, os salários dos funcionários administrativos das escolas (merendeiras, porteiros, agentes etc), que em sua maioria recebem menos do que um salário mínimo de piso, não seriam reajustados.
O discurso falso do governador de que pagaria o piso nacional, em manobra em torno de abono que exclui a maioria, levou a categoria a decretar greve por tempo indeterminando a partir do dia 17 de maio. Durante a assembleia, as e os profissionais da Educação cantaram “Governador, preste atenção, sua mentira unificou a educação” – em alusão à divulgação do governador Claudio Castro de que pagaria o piso nacional da educação.
Aduff-SSind manifesta apoio à greve
Para o presidente da Aduff-SSind, Edson Teixeira, não é surpresa alguma a falta de compromisso do governo Cláudio Castro com a Educação e seus profissionais. A entidade manifesta seu total apoio à greve da Educação no estado do Rio de Janeiro.
“O desgoverno Cláudio Castro é uma expressão do fascismo e da milícia, uma governança que exige determinação e perseverança para ser derrotado. Seguimos lado a lado dos profissionais da Educação no estado do RJ, na luta por uma educação pública, gratuita, de qualidade, com valorização das e dos trabalhadores e por melhores condições de trabalho e estudo. Não permitiremos que vença a barbárie e reiteremos a importância da luta pela revogação do Novo Ensino Médio (NEM)”, ressalta.
Professora da Faculdade de Educação e integrante da diretoria da Aduff-SSind, Kênia Miranda também destaca a política do governador, conhecido pelas incursões policiais violentas nas favelas e periferias. “Por respeito a quem educa, por respeito à comunidade, crianças, jovens e suas mães, pais e familiares, razão de ser da escola pública, exigimos que Claudio Castro destine os recursos públicos, que são nossos, à Educação e garanta melhores condições de trabalho e formação na rede estadual”, finaliza.







