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Em assembleia geral realizada na manhã desta sexta-feira, dia 28, os docentes avaliaram que as negociações sobre o reajuste no plano de saúde proposto pela Unimed devem continuar. A contra-proposta de 24,79% da operadora foi considerada aquém da expectativa da categoria que espera, com a continuação das negociações, chegar a um valor mais justo para os associados.

Entenda o caso:

No dia 06 de junho, o Sindicato foi surpreendido em uma reunião com a Unimed Leste Fluminense com a apresentação de uma proposta de reajuste de 41,42% no plano de saúde. A Operadora apresentou um estudo da sinistralidade (estudo de utilização e gastos do plano de saúde por parte dos associados) que, segundo eles, justificaria o aumento proposto.

Em resposta, a ADUFF elaborou uma carta argumentando que o aumento era exorbitante e solicitou uma nova proposta. Diante disso, a Unimed propôs o índice de reajuste de 24,79% - que corresponde a uma redução de mais de 50% em relação à primeira proposta - mas que ainda é alta, em comparação com outros reajustes aplicados pela Unimed no decorrer dos anos. As negociações entre sindicato e Unimed, como deliberado na AG, continuam.

Em assembleia geral realizada na tarde desta quarta-feira, dia 26, os docentes da UFF aprovaram adesão ao Dia Nacional de Luta pelas Reivindicações dos Trabalhadores que acontece nesta quinta-feira, dia 27. A proposta da mobilização partiu da CSP-Conlutas e demais entidades que compõem o Espaço de Unidade de Ação, do qual o ANDES-SN faz parte, para dialogar e se inserir nas grandes manifestações que ocorrem em todo o país.

O encaminhamento dado pela assembleia da categoria é que os docentes da UFF se concentrem no IFCS (Largo de São Francisco,  Centro do Rio), às 16h, para juntos se incorporarem à manifestação ampliada que acontece amanhã (27), com concentração às 16h, na Candelária. É importante que os professores levem cartazes, faixas e camisetas com as bandeiras do Sindicato Nacional, em defesa da saúde e da educação pública, gratuita e de qualidade. O ato segue em direção à sede da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), na Rua da Assembleia, nº 10.

Tanto o trajeto da passeata como suas pautas foram decididos na noite de ontem, terça-feira, em plenária que contou com mais de 3mil pessoas no IFCS. Tarifa zero; Desmilitarização da polícia e Liberdade aos manifestantes presos são os eixos principais da manifestação, embora outras reivindicações possam ser agregadas ao protesto. No domingo, dia 30, o protesto deve partir da Praça Saens Peña (Tijuca), às 15h, rumo ao estádio do Maracanã, onde será realizada a final da Copa das Confederações.

Outros encaminhamentos

Os professores presentes na AG também deliberaram pela implementação de assembleias gerais permanentes para debater e organizar a intervenção docente nas manifestações. Com o mesmo intuito, uma reunião do Conselho de Representantes foi marcada para a segunda-feira, dia 1 de julho, às 16h, na sede da entidade sindical.

A presidente Dilma Rousseff não mostrou disposição em dialogar com as reivindicações conjuntas apresentadas pelas oito centrais sindicais, em reunião convocada pelo Executivo na manhã desta quarta-feira (26), no Palácio do Planalto, em Brasília. As entidades apresentaram sete eixos (veja abaixo) que compõem a pauta do Dia Nacional de Luta, convocado para 11 de julho, pela CSP-Conlutas, CUT, UGT, Força Sindical, CGTB, CTB, CSB e NCST, com paralisações e manifestações em todo o país.

Segundo relato do membro da Executiva Nacional da CSP-Conlutas e diretor do ANDES-SN, Paulo Rizzo, a presidente Dilma Rousseff abriu a reunião fazendo uma análise de conjuntura das manifestações, as quais avalia como um processo positivo da democracia e consequência da inclusão social da população brasileira, desde o governo Lula e que hoje têm novos anseios e vai às ruas para exigi-los.

A presidente fez uma explicação dos cinco pactos do governo federal com governadores e prefeitos, expostos nesta semana, com ênfase no ajuste fiscal e pediu a colaboração das centrais na construção do plebiscito sobre a Reforma Política. Disse ainda que as reivindicações dos trabalhadores serão discutidas nas mesas de negociações específicas.

Um representante de cada central fez uma fala de cerca de três minutos e a reunião foi encerrada sem nenhum encaminhamento. Em sua intervenção, o coordenador da CSP-Conlutas, José Maria de Almeida, destacou que não haverá uma mudança concreta, que traga ganhos reais aos trabalhadores que estão nas ruas, caso o governo não faça uma alteração significativa no modelo de política econômica.

“Eu disse hoje à presidente da república aquilo que nós temos dito nas manifestações de rua: dentro desse modelo econômico que separa a metade do orçamento do país todo ano para banqueiros e grandes especuladores, nunca vai haver dinheiro para investir na educação e na saúde públicas, na moradia e no transporte. O Brasil tem recursos para resolver os problemas que atingem a vida do povo hoje, mas é preciso parar de dar esses recursos para os bancos e as grandes empresas e utilizar esses recursos para beneficiar a população”, contou Almeida.

Durante sua fala, ele destacou também a truculência das forças policiais, que vêm reprimindo com extrema violência, as manifestações nas ruas. “Ela pareceu ignorar essa realidade. E dei como exemplo o que vem acontecendo no Rio, São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza e tantas outras cidades brasileiras. Belo Horizonte, por exemplo, está cercada pela PM”, enfatizou.

Para Paulo Rizzo se faz urgente cessar a entrega do patrimônio do país, para aplicação efetiva de recursos em políticas públicas. “É preciso acabar com os leilões das reservas de petróleo, com a desculpa de que parte dos recursos será usada para saúde e educação, e também reverter todo tipo privatização”, ressaltou.

Em relação às mobilizações, na avaliação de Zé Maria é preciso engrossar ainda mais as manifestações, porque até o momento o governo não fez nenhum movimento no sentido de atender a pauta real que está nas ruas, propondo apenas mudanças superficiais que não alteram o rumo das políticas públicas nem têm impacto real para a população.

“Se nós queremos de fato solução para os problemas que estão sendo colocados nas manifestações, e para a pauta que nós apresentamos aqui hoje, é muito importante fortalecer as paralisações e as greves que nós marcamos para o dia 11 de julho. O primeiro ponto do pacto proposto pela presidente da república, na frente de todos os governadores foi de estabilidade financeira, através de ajuste fiscal. Isso, neste país, significa menos verba para as políticas sociais e mais dinheiro para banco. Nós temos que inverter essa lógica da política econômica que se aplica no Brasil”, avaliou o coordenador da CSP-Conlutas, lembrando que desde abril, a entidade entregou uma pauta ao governo à qual não houve resposta até o momento.

Em relação ao Dia Unificado de Lutas convocado conjuntamente pelas oito centrais, o diretor do ANDES-SN, Paulo Rizzo, avalia extremamente importante o esforço das entidades em unificar a mobilização em torno dos eixos comuns e fortalecer a luta dos trabalhadores. Ele ressalta que não cabe às centrais se comprometerem com as inciativas do governo e apontou como problemática a manifestação de apoio do representante da CUT, durante a reunião, às recentes medidas apontadas pelo Executivo.

“Isso vai na contramão do que o povo está dizendo nas ruas. Precisamos centrar forças nos atos amanhã, 27, com vistas a ampliar a mobilização também com paralisações em 11 de julho”. O diretor do Sindicato Nacional atenta para o Dia Nacional de Luta dos Trabalhadores convocado para esta quinta-feira (27) pelas entidades que compõem o Espaço de Unidade de Ação, entre elas o ANDES-SN e a CSP-Conlutas.

Os eixos definidos pelas Centrais para compor o pleito unificado dos representantes das mais diversas categorias da classe trabalhadora são a redução das tarifas e melhoria da qualidade dos transportes públicos; o aumento nos investimentos da saúde pública; posição contrária ao Projeto de Lei 4330/2004, que trata sobre terceirização de mão de obra; pelo fim dos leilões de petróleo; pelo fim do fator previdenciário e valorização das aposentadorias; pela redução da jornada de trabalho; e a Reforma Agrária.

Confira aqui a carta entregue pela CSP-Conlutas à presidente da República, Dilma Rousseff.

FONTE: ANDES-SN

Na próxima terça-feira, dia 2 de julho, às 17horas, a ADUFF promove o debate “Manifestações de Junho: movimento docente e conjuntura”. O evento, que será realizado no auditório Florestan Fernandes (Faculdade de Educação – Bloco D, Campus do Gragoatá), é aberto a todos e contará com a presença de Osvaldo Coggiola (Professor de História da USP), Marcelo Badaró (Professor de História da UFF) e Mauro Iasi (Professor da UFRJ e presidente da ADUFRJ)

De acordo com a diretoria da ADUFF, as manifestações que acontecem em todo o país estão mudando a pauta cotidiana do que é debatido no espaço público. É difícil achar quem não queira conversar sobre o que está acontecendo, entender a que esse movimento se deve e no que vai resultar. A iniciativa de um debate na UFF é uma forma de refletir sobre esse processo, dialogando com a comunidade acadêmica, movimentos sociais e ativistas que, pela primeira vez, participam de manifestações populares.

“Além de ser um espaço para a categoria qualificar sua intervenção e definir como vai participar e colaborar com o movimento, nós, como professores, não podemos nos furtar de contribuir no processo de formação de nossos estudantes. Por isso a iniciativa do debate, de procurar respostas coletivas”, ressalta a secretária geral da ADUFF, Cláudia March.

Relatos de moradores do Complexo da Maré e de integrantes de ONGs do lugar repudiam a ação policial de ontem e de hoje na Favela Nova Holanda. Ao todo, até o momento houve 13 mortos, um deles um sargento do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Há duas versões complementares sobre o conflito. Para o presidente do Observatório de Favelas, Jorge Barbosa, o que houve foi assassinato de jovens da comunidade por policiais. Já Lourenço César, diretor do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré, acrescenta que policiais colocados nas entradas e saídas da favela – desde o início da Copa das Confederações – foram os autores dos primeiros disparos ainda na Avenida Brasil, em frente à comunidade.

-  Eles começaram a atirar, a fim de dispersar a manifestação de segunda-feira na Avenida Brasil, em frente à comunidade. Foi quando o Bope chegou e resolveu entrar na Nova Holanda. Não tinha ninguém armado na manifestação. De repente, o Bope resolveu entrar na favela, atirando. Houve troca de tiros – disse Lourenço.

Nessa troca de tiros, acrescentou ele, um sargento do Bope morreu:

- O Bope então passou a agir com fúria, com raiva. E a polícia não pode agir assim.

Jorge Barbosa afirmou ainda que jovens foram mortos a faca, durante a noite.

- Foram execuções sumárias. Os policiais entraram na favela, deram um tiro no transformador, atiraram a esmo, invadiram casas. Há vários rastros de sangue na Nova Holanda. Foi uma reação totalmente desproporcional, o que conforma o estado de exceção na favela. Atiraram para matar e mataram com faca.

Lourenço conta que na manifestação havia atos de vandalismo. Mas, para ele, seguindo a lógica das ações policiais nas manifestações realizadas no asfalto, ela poderia ter sido dispersada com balas de borracha.

- Mas a lógica da atuação policial é sempre diferente na favela – denuncia.

Neste momento, cerca de 200 moradores estão na entrada da Nova Holanda, preparando uma passeata pelo fim da operação e chamando atenção da sociedade do Rio de Janeiro para a truculência social que acontece com frequência nas favelas. Segundo o diretor do Observatório das Favelas, Jailson de Souza e Silva, três caveirões estão parados no local.

- Um sargento morreu e a polícia começou atos de vingança na favela. Eles dizem que são pessoas envolvidas com o tráfico, mas, como sempre, não há comprovação. Na favela, a polícia mata sem necessidade de comprovar que se trata de criminosos. Faz algum sentido justificar várias mortes por conta de uma morte?  - disse Jailson.

Pesquisadores apontam que episódio mostra comportamento da polícia em relação à população

Durante a entrevista, por telefone, era possível ouvir os gritos de crianças, segundo ele moradoras da favela, pedindo “abaixo a violência”. Segundo a professora do Laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento Social da Coppe/ UFRJ Rita Afonso, que também é membro do Observatório das Favelas, é preciso entender que esse episódio nesta terça-feira (25/06) na Maré faz parte de um contexto muito mais amplo, um comportamento violento da polícia em relação à população da cidade. Rita conta que, em suas redes sociais, jovens que são seus alunos na Escola Popular de Comunicação Crítica estão tentando conscientizar outros jovens, compartilhando a seguinte frase: “nas favelas, as balas nunca foram de borracha”.

- A questão principal é a violação de direitos na favela. Essa é uma batalha antiga. Esse é um ponto ao qual ninguém respondeu ainda. A Dilma não respondeu, o Cabral também não. Eu estava na manifestação dos Cem Mil e vi a barbárie que a polícia causou na Lapa, na Glória. É assim que a polícia sabe se comportar no Rio de Janeiro. É um recado claro, uma forma de estrangular a emoção das pessoas que estão nas ruas. Isso é muito grave, não podemos admitir que a polícia se comporte assim.

A professora Lia Mattos Rocha, da Pós-Graduação em Ciências Sociais da Uerj, diz que a cidade continua a sofrer com uma absurda divisão entre cidadãos e não cidadãos, com a favela sendo tratada com um estado de exceção.

- Isso ocorreu na Eco-92 e nos Jogos Pan-Americanos em 2007, quando a favela foi alvo de selvageria policial. Não é a primeira vez que, em grandes eventos, o Rio tem tratado as comunidades dessa forma. Para ela, ao menos nas redes sociais tem surgido uma solidariedade com a Maré.

- Muita gente fez posts se solidarizando com a Maré, e isso é um grande novidade. Nas passeatas de rua, muita gente que não mora em favela foi alvo de violência policial. Talvez isso tenha aumentado a consciência das pessoas do que ocorre na favela.

Organizações da sociedade civil acabaram de publicar manifesto de repúdio à violência policial na Maré, classificando o ato como uma chacina.

Fonte: Canal Ibase

Diante da conjuntura agitada e da quantidade de pautas a serem debatidas pela categoria, a ADUFF marcou três assembleias gerais em um curto espaço de tempo. Veja abaixo a data e o horário de cada uma e não deixe de participar. Um a mais é muito mais!

- 26 de junho, quarta-feira, às 16h

Com o objetivo de promover um espaço de diálogo e discussão a respeito das recentes manifestações que acontecem no estado do Rio de Janeiro e em todo o país, a ADUFF convida toda a categoria para a assembleia geral realizada na sede da entidade sindical.

Pauta: Informes; Manifestações de Junho: movimento docente e conjuntura; adesão dos professores da UFF ao Dia Nacional de Luta pelas reivindicações dos trabalhadores, proposto pelo ANDES-SN, para o dia 27 de junho

- 28 de junho, sexta-feira, às 10h

A assembleia geral, que acontece no auditório Florestan Ferndandes (Faculdade de Educação – Bloco D- Campus do Gragoatá), tem como pauta única o convênio entre ADUFF e UNIMED, que engloba a proposta da empresa de reajustar o valor do plano em 41,42% , a impossiblidade de o plano de saúde receber novos integrantes e a deliberação de uma solução conjunta para os problemas.

- 2 de julho, terça-feira, às 13h30

Realizada mais uma vez no auditório Florestan Fernandes, a AG pauta a eleição de delegados e observadores para o CONAD, além de informes e outros assuntos

Espaço de Unidade de Ação, núcleo que articulou a grande marcha em Brasília no dia 24 de abril, convoca sindicatos, movimentos populares e organizações estudantis a cobrarem suas reivindicações

Em reunião realizada na última sexta-feira (21), as entidades que compõem o Espaço de Unidade de Ação, entre as quais a CSP-Conlutas e o ANDES-SN, decidiram convocar seus sindicatos, movimentos populares e organizações estudantis a organizarem um Dia Nacional de Lutas pelas reivindicações dos trabalhadores em todos o país. A data escolhida foi quinta-feira (27).

A orientação é fazer greves, paralisações e manifestações de rua, o que for mais adequado à situação concreta de cada categoria, cidade ou região. “O que é fundamental é que, por todo o país haja manifestações dos trabalhadores cobrando o atendimento de suas reivindicações”, destaca a nota divulgada.

A mobilização foi deliberada após a análise de que, depois das vitórias conquistadas através da mobilização da juventude em todo o país pela encabeçadas pelo Movimento Passe Livre, a luta deve continuar. Na avaliação das entidades, é necessário que as pautas da classe trabalhadora continuem nas ruas. “Precisamos transformar esta vitória na primeira de uma série de muitas outras. Só dessa forma poderemos transformar para melhor o nosso país e a vida dos trabalhadores brasileiros”, aponta o texto.

ANDES-SN convoca docentes
Diante dessa indicação, o ANDES-SN, participante ativo do Espaço de Unidade de Ação e filiado à CSP-Conlutas divulgou nesta segunda-feira (24) uma circular chamando os professores a participarem deste Dia Nacional de Luta. “Orientamos as seções sindicais a convocarem assembleias para discutir a participação dos docentes no dia 27 junho”, aponta o Sindicato Nacional.
A convocação enfatiza a orientação, já repassada às suas seções sindicais no último dia 20, de que considerassem a necessidade de estabelecer interfaces bem como formas de intervenção com esse movimento social dinâmico, de acordo com orientações de nossas instâncias de base.

Histórico
O ano de 2013 iniciou com grandes mobilizações em várias capitais e, em abril, uma marcha a Brasília demonstrou profundo descontentamento dos trabalhadores e movimentos sociais.

Desde a primeira semana deste mês de junho, manifestações inicialmente motivadas pelos abusos no preço das passagens do transporte urbano acontecem em todo o país: Goiânia (GO), Natal (RN), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) foram algumas das cidades brasileiras que protagonizaram o início deste ciclo de protestos. A reação da polícia, sobretudo aos primeiros atos, foi tomada de muita repressão e truculência: manifestantes foram presos; armas com balas de borracha, cassetetes, sprays e bombas de efeito moral foram largamente utilizados, numa tentativa clara de criminalizar os movimentos sociais de reivindicação e de impedir o direito constitucional de organização.

Nas semanas seguintes, o número de pessoas que passa a ocupar as ruas nessas e em outras cidades aumenta significativamente – alguns chegaram a contar com cerca de 100 mil (Recife, Vitória e São Paulo) e 300 mil manifestantes (Rio de Janeiro), e instala-se uma onda de protestos pelo Brasil, que vai além da questão do aumento das tarifas e da pauta do transporte público de qualidade. Sintonizado a toada desta conjuntura, em que várias manifestações populares eclodem por todo o país, a diretoria do ANDES-SN envia uma circular às suas Seções Sindicais, recomendando que intensifiquem as lutas por direitos sociais que marcam toda a trajetória da entidade, buscando aproximação com os setores da educação, fóruns dos servidores públicos, movimento estudantil, CSP- Conlutas Estadual para participar de forma unitária das manifestações e avaliando, inclusive, a possibilidade de p aralisação conjunta de todos esses setores nos dias convocados para os atos.

“Essa explosão social vinha sendo gestada há tempos, culminando recentemente nos movimentos organizados pelo “Passe Livre”, denotando profunda repulsa às ações políticas corruptas, ao cinismo da classe política, ao desrespeito dos governos em relação aos serviços públicos e à arrogância da exploração dos setores dominantes e do capital”, cita a circular expedida na última quinta pelo ANDES-SN. “Agora, por ocasião da copa das confederações, um megaevento pré-Copa do Mundo que vem consumindo bilhões além de favorecer a corrupção, o movimento ecoa de forma política marcante embora alguns setores busquem caracterizá-lo como sendo espontâneo e sem relação com as organizações partidárias e sindicais”, pontua o Sindicato.

A posição do ANDES-SN em relação às manifestações que ora ocorrem no Brasil também está afinada com a Centralidade da Luta do Sindicato Nacional e de suas Seções Sindicais aprovada para o ano de 2013. Definida no 32º Congresso da categoria, que aconteceu em maio deste ano no Rio de Janeiro, a Centralidade da Luta do ANDES-SN para 2013 aponta para a defesa do caráter público e gratuito da educação, condições de trabalho, salários dignos e carreira para os docentes, ampliando a organização da categoria no ANDES-SN e a unidade classista dos trabalhadores.

Solidariedade e repercussão internacional
Após os protestos do dia 18 de junho, que foram marcados por mais violência da Polícia Militar do que o habitual, inclusive, contra jornalistas (pelo menos 15 ficaram feridos), várias manifestações em solidariedade foram realizadas pelo mundo. Aconteceram manifestações em Portugal (Lisboa, Coimbra e Porto), Paris, Barcelona, Londres, Dublin, entre outras cidades. Além disso, o movimento foi destaque em diversos veículos de comunicação internacionais, que ressaltaram a truculência da polícia brasileira e o “clima de insegurança” presente na véspera de grandes eventos esportivos.

Vitórias da mobilização

Com as manifestações em todo o país, além de São Paulo e Rio de Janeiro, pelo menos mais sete cidades anunciaram redução nas tarifas do transporte público até julho: João Pessoa (PB), Recife (PE), Cuiabá (MT), Porto Alegre (RS) Pelotas (RS), Montes Claros (MG) e Foz do Iguaçu (PR). As reduções vão de R$ 0,05 a R$ 0,20 no valor das tarifas.

Em nota publicada nesta quinta-feira (20), o Movimento Passe Livre (MPL) de São Paulo comemora a revogação do aumento da tarifa na capital paulista e atribui a vitória à mobilização e organização do povo. “A cidade não esquecerá o que viveu nas últimas semanas. Aprendemos que só a luta dos de baixo pode derrotar os interesses impostos de cima. A intransigência dos governantes teve de ceder às ruas tomadas, às barricadas e à revolta da população. Não foi o Movimento Passe Livre, nem nenhuma outra organização, que barrou o aumento. Foi o povo”, afirma o MPL em nota.

Mesmo com essa vitória, o movimento reage ao discurso dos governantes e não aceita que a redução do valor das passagens seja praticada às custas de cortes de recursos em outras políticas sociais, e continua na rua.

Com o objetivo de promover um espaço de diálogo e discussão a respeito das recentes manifestações que acontecem no estado do Rio de Janeiro e em todo o país, a ADUFF convida toda a categoria para a assembleia geral nesta quarta-feira, dia 26, às 16h, na sede da entidade sindical.

Pauta: Informes; Manifestações de Junho: movimento docente e conjuntura; adesão dos professores da UFF ao Dia Nacional de Luta pelas reivindicações dos trabalhadores, proposto pelo ANDES-SN, para o dia 27 de junho

Juliana Vianna, estudante de história da UFF, foi libertada na tarde desta quinta-feira (20). Aluna foi detida injustamente durante os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público na noite do dia 17, no Rio de Janeiro

Às 14h desta quinta-feira, dia 20, a estudante Juliana Vianna, que cursa História na UFF, foi finalmente libertada após passar três dias na prisão. Juliana foi detida injustamente junto com o namorado e um amigo durante o protesto contra o aumento das tarifas do transporte público que aconteceu nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro. Os três estavam no complexo penitenciário de Bangu após serem indiciados sob suspeita de furto qualificado. De acordo com policiais militares, os estudantes foram vistos quebrando e saqueando uma loja de malas.

De acordo com o advogado Mário Miranda, contatado  pela administração central da UFF para prestar assessoria jurídica à estudante, Juliana e os amigos contestam a versão da polícia e negam ter praticado qualquer crime. “Estou confiante no bom senso da justiça em relação ao caso. É compreensível que parcela da sociedade queira uma reposta para alguns atos de violência que aconteceram nos arredores da ALERJ. Entretanto, essa resposta não pode ser desproporcional e injusta, imputada sobre quem não cometeu atos de vandalismo”, pontua.

A estudante foi liberada mediante pagamento de R$ 2 mil em fiança custeada pela ADUFF e agora vai responder o processo em liberdade. Em respeito à estudante e a pedido da família de Juliana, a imprensa da entidade sindical concordou em entrevistá-la num momento menos conturbado, possivelmente amanhã. Ressaltamos, contudo, que nossos veículos de comunicação estão abertos para Juliana relatar seu lado da história, no intuito de ajudá-la a provar sua inocência.

Niterói reuniu na noite de ontem (19) cerca de 50 mil pessoas no centro da cidade em manifestação contra o aumento da passagem de ônibus e pela garantia de direitos. A concentração da manifestação foi iniciada cerca de 16h30, em frente à estação das  barcas, na praça Araribóia. O ato, que contou com a participação de estudantes, trabalhadores e diversos movimentos, reivindicava a revogação do aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus, R$ 0,30 nas passagens de barca, além da garantia de direitos.

Pautas como a não aprovação do Estatuto do Nascituro, que restringe os direitos das mulheres ao aborto em caso de estupro, repúdio a “cura gay”, que autoriza o tratamento de pessoas homoafetivas aprovada recentemente na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e ainda, os gastos públicos com os mega-eventos, como Copa e Olimpíadas, em detrimento de investimentos em áreas sociais como saúde e educação, foram algumas das diversas bandeiras levantadas pelos manifestantes

Enquanto o ato acontecia, o Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o Governador do Estado, Sérgio Cabral, anunciaram, em coletiva de imprensa, a revogação das tarifas de ônibus e das barcas. O preço para os coletivos serão fixados em R$ 2,75 e das barcas em R$ 4,50, já valendo a partir da próxima segunda-feira, dia 24 de junho. Entretanto, o anúncio não satisfez os manifestantes, que vaiaram e afirmam não deixar a causa.

“A nossa luta é muito maior que a redução da tarifa. Queremos melhora no serviço, que é péssimo. Eu, por exemplo, preciso utilizar dois ônibus e levo quase 1h30 para chegar ao trabalho. Este preço – estipulado para dar lucro aos empresários -é um assalto ao nosso bolso e não condiz com a qualidade do que é oferecido, além de ser uma restrição do direito de ir e vir. As pessoas precisam estar nas ruas para pressionar o governo ainda mais. Já mostramos que não somos bobos” disse a secretária, Juliana Antunes, de 28 anos.

A presidente da ADUFF, Eblin Farage, presente na manifestação, concorda. “O pronunciamento do prefeito do Rio, Eduardo Paes, foi lamentável. Ele afirmou que a revogação do aumento só será possível se o governo retirar recursos de outras áreas, como saúde e educação. Isso não aceitaremos! Como diz a frase que se espalhou pelos protestos em todo o Brasil, a briga não é por 20 centavos, é por direitos. Para nós, não adianta precarizar ainda mais a saúde e a educação e deixar o grandes lucros dos empresários do transporte intactos”, frisou.

Em Niterói, os manifestantes mostraram na noite de ontem a disposição inequívoca pela ampliação da luta. Prometem permanecer na rua até que todos os manifestantes presos sejam libertados, contra a criminalização dos movimentos sociais, pela melhoria nos transportes públicos e contra os subsídios públicos a empresas privadas de transporte. A ADUFF também continuará participando dos protestos, encampando a pauta  unificada e lutando contra a privatização das políticas sociais, em defesa da educação e da saúde públicas, gratuitas e de qualidade. Pela aplicação de 10% do PIB na educação pública Já!

O movimento que tomou as ruas do Brasil ao longo das últimas semanas, mobilizando centenas de milhares de jovens em dezenas de cidades, conquistou uma grande vitória nesta quarta, 19 de junho. Os prefeitos do Rio, de São Paulo e de Niterói anunciaram a revogação do aumento das passagens de ônibus. No caso do Rio, também foi revogado o aumento de barcas e metrô, pelo governo estadual.

A principal pauta que levou a juventude à rua foi conquistada. Porém, as manifestações ganharam uma proporção muito maior. Como diz o lema que está nas palavras de ordem, nos cartazes e nas redes sociais, “não é por centavos, é por direitos”.

E as manifestações continuarão. Pela libertação imediata dos manifestantes presos e contra a criminalização dos movimentos sociais, pela melhoria nos transportes públicos, contra os subsídios públicos a empresas privadas de transporte. Contra a privatização das políticas sociais, em defesa da educação e da saúde públicas, gratuitas e de qualidade. Pela aplicação de 10% do PIB na educação pública Já!

Nesta quinta tem novo ato no centro do Rio. Após a última segunda-feira, quando cerca de 150 mil marcharam pela Avenida Rio Branco numa manifestação histórica, a expectativa é manter o potencial de mobilização e a energia do movimento. Todos à Candelária!

Apesar de o governador Sérgio Cabral afirmar em entrevista, na manhã desta terça-feira, 18, que acha que as recentes manifestações contra o aumento da passagem no Rio de Janeiro “mostram uma juventude desejosa de participar, de estar presente, de questionar, de sugerir e isso é muito bonito", nas ruas o que se vê é a repressão policial contra os manifestantes. No ato pacífico desta segunda-feira, que reuniu, no mínimo, 100 mil pessoas na Cinelândia contra o aumento da passagem de ônibus no estado, dois estudantes da UFF foram presos, simplesmente, por estarem presentes no protesto.

Wesley Prado, estudante de Comunicação Social da UFF, foi preso porque fotografava as cenas de conflito na Assembleia Legislativa e enquadrado absurdamente pelo crime de formação de quadrilha. “Estava fotografando e fazendo vídeos da ação da Tropa de Choque no fina do ato quando os policiais vieram para cima de mim e perguntaram pelo meu crachá de imprensa. Quando eu disse que era estudante e não tinha crachá, eles me carregaram para o camburão sem me falar o motivo de eu estar sendo preso. Na 5ª DP  descobri que estava sendo acusado por formação de quadrilha junto com um morador de rua e um funcionário público aposentado que eu nem conhecia”, relata.

Já Juliana Vianna, estudante de História da UFF, foi detida simplesmente porque saía do protesto em direção à Lapa, acusada de interceptação e roubo qualificado. De acordo com amigos de Juliana que estavam com ela durante o protesto, após saírem da manifestação em direção à Lapa, um grupo de policiais militares chamou o grupo e pediu para que parassem. Ao parar, Juliana e o namorado foram presos e acusados de invadir e roubar mercadorias de uma loja de malas. A acusação é veementemente rebatida pelos amigos de Juliana, que estavam com ela durante toda a manifestação.

Wesley pagou fiança e foi liberado desde a manhã de ontem. Já Juliana, que não tinha dinheiro para pagar os R$ 2 mil estipulados, foi encaminhada da 5ª DP (na rua Gomes Freire, 320, Lapa) para Bangu 8, onde segue em uma cela individual, esperando o resultado do pedido de liberdade provisório ajuizado desde ontem. Os dois estudantes estão sendo defendidos pelos advogados da Comissão de Direitos Humanos da OAB. O caso também é acompanhado pelo advogado Marcelo Miranda, que foi procurado pela Administração Central da UFF para prestar assistência jurídica aos alunos.

ADUFF apóia protestos e se solidariza aos manifestantes detidos

Diante dos acontecimentos da última semana, com protestos massivos em todo o país, seguidos, na maioria dos casos, de forte repressão da Polícia Militar e da Tropa de Choque, a  diretoria da ADUFF declara seu apoio às manifestações e aos ativistas detidos. Ressalta ainda que está à disposição, para apoio e assistência – inclusive assitência jurídica – em caso de militantes (docentes ou não) que forem detidos.  Nos encontramos nas ruas!

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