Mar
20
2026

Comunidade da UFF em Rio das Ostras realiza ato por Paloma Gomes, desaparecida há 100 dias

Protesto cobra celeridade nas investigações e pede justiça pela aluna de Enfermagem

A comunidade da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras – envolvendo docentes, discentes e técnico(a)-administrativos(as) – realizou um protesto para exigir celeridade nas investigações sobre o desaparecimento da estudante Paloma Fragoso Gomes, que completou 100 dias e segue sem solução. A mobilização, que foi marcada por indignação, angústia e críticas à condução das investigações, teve início por volta das 16h do dia 18 de março, no hall da unidade acadêmica. Depois, ocupou um trecho na na Rodovia Amaral Peixoto, em frente ao campus universitário.

Durante o ato, manifestantes empunharam cartazes, com palavras de ordem, chamando atenção para a necessidade de respostas sobre o paradeiro da aluna concluinte do curso de Enfermagem e mãe de uma criança pequena. 

Paloma, de 31 anos, foi vista pela última vez na manhã de 6 de dezembro de 2025, ao sair da moradia estudantil da UFF em direção ao bairro Âncora. Natural de Piúma (ES), Paloma estava em Rio das Ostras para realizar o sonho de se graduar em Enfermagem.

Para Lídia Soares, professora do curso de Enfermagem, a pressão social é importante. "O ato teve uma boa repercussão, ocorrendo em um local de grande movimento aqui em Rio das Ostras, que é caminho para Macaé", disse. Paloma, como contou a docente, era estudante de enfermagem do 9º período e estava próxima de se formar. "Ela saiu da moradia estudantil em um sábado pela manhã e não retornou. Ela trabalhava como garçonete em um bar em Rio das Ostras, no período noturno, e havia trabalhado na noite anterior ao seu desaparecimento", complementou a docente.

De acordo com Elizabeth Carla Vasconcelos Barbosa, também professora do referido curso e ex-diretora da Aduff, o período de recesso acadêmico agravou a sensação de impotência diante do caso. Ela afirmou que as atividades ficaram paralisadas, enquanto a angústia da família, amigos e comunidade da UFF só aumentava. Segundo a docente, a data do aniversário de Paloma, em 22 de janeiro, intensificou ainda mais a comoção. "A família tentou organizar uma mobilização, mas houve pouca adesão inicial de estudantes, já que não havia aulas no início do ano. Diante disso, o departamento decidiu convocar uma reunião para discutir encaminhamentos, resultando na organização do ato", explicou. 

Para a docente, é uma situação inaceitável, porque faltam informações por parte das autoridades. “A polícia não dá nenhuma informação, a família não consegue acompanhar o caso, e tudo está sob sigilo”, afirmou. Para ela, há descaso tanto nas investigações quanto na segurança pública da cidade, que, segundo apontou, registra outros casos de desaparecimentos. "Paloma é uma mulher negra, mãe solo de uma criança de 6 anos", enfatizou. 

A docente também relacionou o caso a um contexto mais amplo de violência de gênero no país. Segundo ela, há uma conjuntura marcada por misoginia e aumento dos feminicídios no Brasil, que seguem em alta – o que torna o desaparecimento de Paloma ainda mais emblemático.

Apesar das dificuldades, a professora avaliou a mobilização como importante, sobretudo diante da repercussão gerada na imprensa. Afirmou que a cobertura jornalística trouxe novas informações, como a atuação do Ministério Público no caso. “Ficamos sabendo, pelas reportagens, que o Ministério Público está pedindo quebra de sigilo telefônico e de outros aparelhos eletrônicos. Isso mostra que há movimentações, ainda que a gente não tivesse conhecimento antes”, disse.

Por fim, Elizabeth Carla defendeu que a Universidade também assuma um papel mais ativo na cobrança por respostas. Segundo ela, está sendo articulada uma moção para que a reitoria se posicione formalmente. “É uma discente da UFF, que habitava a moradia estudantil. A instituição também precisa cobrar do Estado uma resposta”, afirmou.

De acordo com a professora Katia Marro, do Curso de Serviço Social, Rio das Ostras é uma cidade que tem um histórico de violência contra as mulheres e de impunidade desta violência. "Após o desaparecimento, em dezembro, a família e dirigentes da UFF registraram denúncia na delegacia. A comunidade se mobilizou, espalhando cartazes pela cidade e realizando um ato em frente à prefeitura para cobrar investigações", contou.

Segundo a docente, no mês de fevereiro, dirigentes da UFF retornaram à delegacia e foram informados de que a investigação estava sob sigilo. "O ato desta quarta-feira teve como objetivo pressionar as instâncias competentes a dar um retorno sobre a investigação, tanto à família quanto à comunidade acadêmica. Não se pode naturalizar o desaparecimento de uma estudante, uma mulher negra, mãe solo, que trabalhava para garantir seu sustento e o de sua família, além de sua permanência na universidade. A total ausência de informações é uma realidade que nos atinge como comunidade acadêmica. Precisamos mostrar à sociedade que necessitamos de respostas urgentes acerca do paradeiro de Paloma", concluiu Kátia.  

A Diretoria da Aduff expressa sua preocupação com o caso e também espera respostas das autoridades competentes o mais rápido possível. A seção sindical de docentes da UFF manifesta solidariedade aos familiares e amigos de Paloma, bem como a toda a comunidade acadêmica da UFF de Rio das Ostras diante da gravidade da situação. 

Da Redação da Aduff
Fotos disponibilizadas por @wernnerlucas

 

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