Ago
21
2023

24 de agosto será marcado por Jornada Nacional dos movimentos negros contra violência policial

No Rio de Janeiro, ato se concentra às 16h de quinta-feira (24), na Candelária, para exigir o fim da violência policial e de Estado e também pedirá justiça e apuração rigorosa para o assassinato da líder quilombola Bernadete Pacífico. Aduff estará presente!

O 24 de Agosto - Dia Nacional de Lutas pelo fim da violência racista da polícia foi planejado em plenária nacional, realizada virtualmente no dia 10 de agosto e que reuniu mais de 250 representantes de diversas organizações dos movimentos negros, periféricos e favelados de todo o país para dizer basta ao genocídio da população negra e pobre deste país e exigir o fim do massacre racista pelas polícias e pelo Estado.

A data será a primeira ação de uma jornada de lutas que se estende até o 20 de Novembro e também é uma homenagem a Luiz Gama, advogado, abolicionista e precursor da luta antirracista no Brasil, cujo aniversário de morte, 24 de agosto, já conta com atividades e ações por todo o Brasil.

Além do ato no centro do Rio de Janeiro, que se concentra às 16h de quinta-feira (24), na Candelária, manifestações também estão previstas em quase todas as capitais brasileiras.

Nas últimas semanas, pelo menos 60 pessoas foram assassinadas em ações policiais nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. No Rio, as manifestações de luto, revolta e indignação contra a execução do adolescente de 13 anos, Thiago Menezes Flausino, na Cidade de Deus, ainda estavam acontecendo quando a Polícia Militar do Rio de Janeiro baleou e matou Eloah Passos, de apenas 5 anos.

A criança foi atingida durante uma ação realizada no último sábado (12), no Morro do Dendê, quando a PM entrou atirando na comunidade 'para dispersar' um protesto de moradores contra a morte de outro adolescente, Wendel Eduardo, de 17 anos, assassinado pela manhã, em blitz da Polícia Militar, no mesmo local.

Levantamento realizado pela Rede de Observatórios da Segurança mostra que 86% dos mortos em ações policiais no RJ são pessoas negras, apesar de o grupo  representar 51,7% da população. O trabalho também evidencia que o RJ é o estado que mais produziu mortes em ações e intervenções das polícias em 2022, com 1.245 registros no ano passado.

Justiça para Bernadete e Binho

As manifestações de quinta-feira também pedirão justiça para Bernadete Pacífico e seu filho Binho.

Brutalmente assassinada no dia 17 de agosto, Maria Bernadete Pacífico, líder do Quilombo Pitanga dos Palmares, Yalorixá e  ex-secretária de Igualdade Racial de Simões Filho (BA) estava incluída, há alguns anos, em um programa de proteção federal, desde que seu filho Fábio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, também foi executado.  

O crime repercutiu nacionalmente e causou comoção social por expressar mais uma vez a brutalidade contra corpos negros e a omissão do Estado diante das notificações de ameaças à vítima.  Nas redes sociais, lideranças de movimentos populares, artistas e políticos se manifestaram e cobraram das autoridades justiça por Maria Bernadete, que também era coordenadora da Conaq (Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos). 

 

O Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, Silvio Luiz de Almeida, lamentou a morte da liderança quilombola. Afirmou que não é mais possível aceitar essas falhas do Estado brasileiro e defendeu o aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção aos defensores de direitos humanos. 

Em nota, a diretoria da Aduff também exigiu a responsabilização dos mandatários da execução de Bernadete e reafirmou a luta em defesa e resistência do povo negro e das comunidades quilombolas.

A entidade convida docentes e toda comunidade acadêmica da UFF a se somar ao ato desta quinta-feira, na luta por um país antirracista. 

 

 

Additional Info

  • compartilhar: