Uma projeção no Museu Nacional da República, em Brasília, no último dia 19, homenageou Maria Bernadete Pacífico – líder do Quilombo Pitanga dos Palmares, Yalorixá, assassinada semana passada na Bahia. O crime repercutiu nacionalmente e causou comoção social por expressar mais uma vez a brutalidade contra corpos negros e a omissão do Estado diante das notificações de ameaças à vítima.
Aos 72 anos, Bernadete foi executada por quatro homens em seu terreiro de candomblé, que também era a sede da associação quilombola, no dia 17 de agosto de 2023. Ela estava sentada em um sofá e sequer teve chance de reagir à agressão. A ação violenta está relacionada à disputa fundiária, envolvendo a especulação imobiliária na região.
Há alguns anos, Bernadete havia sido incluída em um programa de proteção federal, no contexto em que seu filho Fábio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, foi executado.
O Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, Silvio Luiz de Almeida, lamentou a morte da liderança quilombola. Afirmou que não é mais possível aceitar essas falhas do Estado brasileiro e defendeu o aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção aos defensores de direitos humanos.
Nas redes sociais, lideranças de movimentos populares, artistas e políticos se manifestaram e cobraram das autoridades justiça por Maria Bernadete, que era também ex-secretária de Igualdade Racial de Simões Filho (BA) coordenadora da Conaq (Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos). No Rio de Janeiro, o ato convocado para a quinta-feira (24) contra a violência policial e de Estado contra o povo negro também exigirá justiça para o assassinato da quilombola.
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"Está ficando insuportável, causa muita indignação a banalização da vida e do assassinato de negras e negros no Brasil", afirmou João Claudino Tavares, docente da UFF em Rio das Ostras e diretor da Aduff.
De acordo com ele, a execução de Maria Bernadete Pacífico expressa uma repetição "do que foi ontem", indicando que há séculos os corpos negros são os mais atingidos pela violência. "Por humanidade, não nos mate. Não aguentamos mais as perdas das nossas irmãs, de nossos irmãos" – disse Claudino, pedindo o fim do genocídio preto.
Da Redação da Aduff
Por Aline Pereira







