Ago
17
2021

Especialista defende reabertura de escolas somente depois de imunização total da população e controle real da pandemia

Alison Felipe Alencar Chaves - enfermeiro, mestre e doutor em Microbiologia e Imunologia pela Unifesp - foi um dos participantes da live promovida pela Aduff, com o tema: “Condições de trabalho e estudo durante e pós pandemia: qual retorno queremos?”

Dado o avanço da variante delta e a necessidade de garantir a imunização completa da população com duas doses da vacina contra a covid-19 no Brasil, o retorno às aulas, nesse momento, ainda é uma medida arriscada e pode ter efeito dramático, segundo Alison Felipe Alencar Chaves, enfermeiro, mestre e doutor em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal de São Paulo - Unifesp. "Assim que as escolas abrirem, elas serão um ambiente de alto risco", disse ele, que foi um dos participantes da live realizada pela Aduff no dia 16, com o tema “Condições de trabalho e estudo durante e pós pandemia: qual retorno queremos?”. O debate, mediado por Kate Lane, presidente da seção sindical, contou ainda com a participação de Leticia Batista, doutora em Serviço Social, pesquisadora da Fiocruz e professora da UFF.  Ambos os expositores discutiram as condições sanitárias para o retorno ao contexto de condições de trabalho e de estudo, apontando a estrutura necessária para a retomada das atividades e aulas presenciais.

Para assistir ao conteúdo integral da live: 

no Youtube: http://bit.ly/liveaduffYT
no Facebook: www.bit.ly/liveaduffFB

De acordo com Alison, as medidas não farmacológicas -- lavar as mãos, usar álcool em gel, usar máscaras e não aglomerar -- ainda são as mais importantes no momento, além da vacinação. Apesar de os imunizantes tornarem o organismo mais protegido à uma possível contaminação pelo vírus da covid-19, ele não torna a pessoa imune à doença. "As vacinas não são esterilizantes, não acabam com a transmissão do vírus, porque ainda posso me infectar e transmitir a doença. Entretanto, as vacinas evitam a forma grave da covid-19", esclarece o especialista. 

O convidado da live criticou o fato de diversos estabelecimentos seguirem funcionando como se não houvesse pandemia, bem como o fato de pessoas ainda aglomerarem, mesmo diante das mais de 560 mil mortes pela covid-19 e pelos inúmeros avisos de setores da sociedade civil buscando conscientizar a população sobre a delicadeza da conjuntura. 

"Quem circula, pode transmitir o vírus - vai se replicar e infectar mais gente; essas pessoas se tornam "roteadores do vírus". E o vírus pode recombinar. Uma pessoa infectada por diferentes variantes pode gerar uma variante nova. O que preocupa é que, eventualmente, podem surgir algumas cepas mais virulentas e agressivas. As variantes que têm surgido são consideradas de preocupação porque a mutação que elas guardam é numa proteína chave para neutralização dos anticorpos. Se os nossos anticorpos deixam de reconhecer essas proteínas, isso é ruim para a gente. No entanto, não temos visto isso acontecer, apesar de a pandemia ser ruim e o cenário dramático", disse Alison Felipe, alertando também que não há indícios científicos de que tais variantes tornem a doença mais grave ou aumentem a mortalidade. "Nos próximos meses, podemos esperar outras variantes de preocupação", avalia Alison. 

Segundo ele, também é possível que, em breve, tenhamos cada vez mais pessoas mais jovens e vacinadas contando como um caso positivo de covid e também notícias de mudanças do perfil etário dos hospitalizados em decorrência da covid. Se no início da pandemia, em 2020, os idosos foram os mais afetados pelo vírus, já percebe-se sutil mudança em relação à idade dos pacientes que necessitam de internação.  "Ainda que crianças sejam um grupo minoritário em termos de infecção (2,5% dos casos são crianças abaixo dos 12 anos), o risco ainda existe. É uma roda de probabilidade e essa probabilidade pode cair no seu filho, na sua criança', explica Alison Felipe. 

Para ele, o ideal é controlar a pandemia com medidas comportamentais e, somente a partir do momento que a população brasileira tiver completado a vacinação com duas doses, rediscutir a abertura das escolas com segurança. Alison Felipe ainda criticou a falta de condições das instalações em escolas públicas, fruto de um projeto político de sucateamento implementado pelos governantes, pois esses espaços carecem de melhorias em relação à infraestrutura para garantir acessibilidade, distanciamento, ventilação e iluminação adequadas. "Para ser bem franco, é um mundo platônico [o mundo em] que vivem alguns gestores que acham que é possível seguir todas as medidas de proteção dentro de uma escola pública no Brasil. Quem conhece [as instalações], sabe que não é possível e que não tem como fiscalizar cada uma das crianças que passam por ali nos diferentes turnos. Essas crianças estarão aglomeradas em ambientes fechados e mal ventilados, como é o padrão das nossas escolas. Fingir que um documento-guia [com informações e dicas de prevenção] para essas escolas [resolverá], é de uma hipocrisia muito grande", considerou.

Acompanhe outras coberturas sobre a mencionada live nos canais de comunicação da ADUFF-SSind.

Da Redação da ADUFF
Por Aline Pereira

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