Abr
13
2019

Parceria entre Faculdade de Educação e Liceu Nilo Peçanha exibe trabalho de alunos na UFF

Peça “Marielle, Presente” será apresentada por graduandos e secundaristas no Auditório Florestan Fernandes, no dia 24 de abril; comunidade fará mutirão de limpeza do espaço no dia 17 para denunciar necessidade de investimentos na Universidade Pública.

“A Escola Ocupa a UFF” é o nome da iniciativa que envolve a Faculdade de Educação, o Colégio Liceu Nilo Peçanha e estudantes da graduação e secundaristas que, juntos, convidam a comunidade acadêmica para a peça “Marielle, Presente”. O espetáculo – com texto e direção elaborados pelos discentes – ocorre na quarta-feira 24, às 15h, no Auditório Florestan Fernandes (Bloco D), no campus do Gragoatá. É fruto de parceria entre o "Laboratório Ensino de História" e a escola, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid).

Na UFF, há 30 estudantes de História no Pibid, divididos em três escolas – Centro de Educação de Jovens e Adultos da Maré; Colégio de Aplicação da UFF - Coluni e o Liceu. Destes, dez participam do Estágio no Liceu Nilo Peçanha, sob a supervisão da professora Ludmila Gama, também formada em História na UFF.

 “O Liceu sempre foi parceiro do Laboratório Ensino de História, porque os professores do Liceu sempre receberam estagiários e estabeleceram parceria na formação dos professores”, conta Nívea Andrade, uma das responsáveis pela atividade e vice-coordenadora do Laboratório Ensino de História.

Segundo a docente, todos os anos, em novembro, o Liceu realiza a “Mostra de Cultura Negra”, experiência concebida pela professora Ludmila e um estudante da UFF. Toda a escola é envolvida na preparação desta mostra, que é produzida ao longo do ano, promovendo discussão relacionada à História e à cultura afro-brasileira.

Já houve homenagens à Carolina Maria de Jesus (2014), Joel Rufino dos Santos (2015), Elza Soares (2016) e Débora Moreno, poetisa de Niterói (2017). Em 2018, decidiu-se que Marielle deveria ser a homenageada e foi criada uma peça sobre a vida dela. A peça foi muito bem recebida, sendo um dos momentos mais emocionantes da mostra. Houve ainda apresentações na Biblioteca Parque, em 2018, e mais três vezes, no Liceu, em março deste ano.

O espetáculo “Marielle, Presente” conta ainda com a colaboração das professoras Martha Nobre (Inglês) e Daline Geber (Português). “A peça foi emblemática, emocionou a escola, alunos dos Pibid que participaram da organização da mostra, das aulas e da produção. Achamos que seria o momento de trazê-la para a UFF”, revela Nívea.

Resistência

Segundo a docente da FeUFF, vários colegas têm se reunido e pensado estratégias que possam defender a escola e a universidade pública diante dos ataques financeiros e de sucateamento aos quais estão submetidas. “Uma delas é reconhecer que só conseguiremos defender a escola e a universidade quando as duas, de fato, estiverem juntas nesse processo; formamos conhecimento”, disse a professora.

Para Nívea, não existe hierarquia de escola maior ou menor, de professor da escola básica ou de ensino superior. “Entendemos que o professor da escola básica é tão formador quanto o docente universitário. Reconhecemos que precisamos valorizar cada vez mais a ação destes professores e trazer o que está sendo produzido de conhecimento qualificado na escola pública para dentro da universidade, evidenciando como a Educação Pública valoriza e luta pelos Direitos Humanos”.

Mutirão no Florestan: dia 17 de abril, às 8 horas.

Há poucos dias, o Ministério da Economia anunciou um bloqueio de quase R$ 30 bilhões em gastos no Orçamento de 2019. O corte em Educação foi de R$ 5,83 bilhões e em 'Ciência e Tecnologia' de R$ 2,13 bilhões. Essas medidas, inevitavelmente, afetam em cheio o orçamento das Universidades Públicas e seguem o receituário privatista do ministro Paulo Guedes. De acordo com ele, a prioridade do governo federal é cortar gastos, privatizar estatais, diminuir a dívida pública e reduzir as despesas.

Os efeitos dessa política de cortes vêm se agravando na UFF. Um exemplo está no recorrente atraso no pagamento do salário de trabalhadores terceirizados, no mato que cresce em todos os campi e ainda na falta de preservação e manutenção da infraestrutura, e na redução do número de bolsas para discentes.

Com o intuito de chamar a atenção para esta realidade, a equipe de docentes e alunos envolvidos na organização da peça vai realizar, na quarta-feira 17 de abril, a partir das 8 horas, um mutirão de limpeza no auditório Florestan Fernandes (Bloco D) – que está sem ar condicionado, com cupim e mofo.

Quem quiser, pode colaborar com o trabalho e com a doação de produtos de limpeza, que devem ser entregues no dia. Além disso, há um envelope para o recolhimento das doações para compra de material de limpeza, na Secretaria da Faculdade de Educação (3º andar do Bloco D). No dia, haverá lanche coletivo, oficina de circo com o discente Eddie Miranda, de 13h às 15h.

“Esta ideia partiu da professora Gelta Xavier, também da FeUFF, e vai englobar docentes e discentes de vários cursos. O mutirão é um carinho para o Auditório que leva o nome do Florestan Fernandes e também uma forma de denúncia da situação da Universidade hoje”, explica Nívea Andrade. 

Visite a página do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/602795326890300/

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