Fev
19
2019

Reitor revoga portaria da assessoria militar na Reitoria

Aduff havia comunicado ao reitor preocupação e insatisfação da comunidade acadêmica com a portaria e defendido a revogação

 

Momento da reunião entre representantes da administração da UFF e da diretoria da seção sindical, na sexta-feira (15). Momento da reunião entre representantes da administração da UFF e da diretoria da seção sindical, na sexta-feira (15). / Luiz Fernando Nabuco/Aduff

DA REDAÇÃO DA ADUFF

O reitor da Universidade Federal Fluminense, Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega, revogou a controversa portaria número 63.083, de 11 de fevereiro de 2019, que instituía a ‘assessoria militar’ dentro da Reitoria. A decisão foi tomada na segunda-feira (18), três dias após receber a diretoria da Associação dos Docentes da UFF - Seção Sindical do Andes-SN, que debateu o teor da medida e levou ao reitor a preocupação da comunidade acadêmica com a notícia. Após revogar a portaria, o reitor disse à Aduff, por telefone, que assim decidira por ouvir a comunidade acadêmica. 

A normativa criava uma assessoria ao gabinete do reitor para fins de articulação e cooperação da UFF com o Ministério da Defesa e as Forças Armadas. Mas gerou reações entre docentes, técnicos e estudantes ao ser deliberada sem qualquer debate ou consulta à comunidade acadêmica em momento em que setores conservadores ganham espaço na cena política nacional.

A edição da portaria 63.083 levou a diretoria da Aduff-SSind a se reunir com o Antonio Claudio e o vice-reitor, professor Fábio Passos, no último dia 15. Dentre os objetivos, buscar explicações e os argumentos da Reitoria para a medida e expor a insatisfação e preocupação que a medida provocara na comunidade acadêmica. A Aduff criticou a possível presença militar na estrutura da Reitoria. Os professores ressaltaram ver com naturalidade que o reitor busque conversar com o governo e dialogar em torno das necessidades da universidade. No entanto, sustentaram que instituir uma assessoria militar voltada para busca de recursos e parcerias não era um caminho usual e tampouco tranquilizador.

Algumas horas mais tarde daquele mesmo dia da reunião com o reitor, a direção da Aduff divulgou nota na qual defende a revogação da portaria, o que acabou ocorrendo na segunda-feira (18). “Diante dos argumentos apresentados pelo Reitor, a Diretoria da Aduff-SSind defende a revogação da Portaria 63.083/2019, por duas razões interligadas: em primeiro lugar, a promoção da cooperação técnico-científica na Universidade Federal Fluminense não se dá historicamente por meio da criação de assessorias ligadas ao Gabinete do Reitor. Para esse fim, existem comissões temporárias e convênios. Em segundo lugar, o destaque institucional conferido a um órgão com essa composição sublinha os sérios riscos à autonomia universitária e às liberdades científica e político-pedagógica representados pelo atual crescimento expressivo da presença de setores das Forças Armadas na estrutura do Estado e, em especial, nos diversos órgãos e instituições públicos de educação”, diz trecho da nota.

Para Marina Tedesco, presidente da seção sindical dos docentes, a revogação da portaria é uma vitória da democracia na universidade. “Desde que a comunidade acadêmica soube da portaria 63083, houve uma preocupação muito grande de estudantes, técnicos e docentes. Que bom que o reitor ouviu a comunidade e percebeu que a portaria estava trazendo consequências e interpretações que não eram as inicialmente previstas pela administração central da UFF”, disse a professora do curso de Cinema. “A Democracia e a UFF, como um todo, saem ganhando com a revogação dessa portaria”, concluiu Marina.

DA REDAÇÃO DA ADUFF
Por Aline Pereira e Hélcio Lourenço Filho

Momento da reunião entre representantes da administração da UFF e da diretoria da seção sindical, na sexta-feira (15). Momento da reunião entre representantes da administração da UFF e da diretoria da seção sindical, na sexta-feira (15). / Luiz Fernando Nabuco/Aduff

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