Nov
21
2025

NOVEMBRO NEGRO | Aduff reforça luta antirracista e cobra da UFF a reparação das vagas destinadas a docentes negros e negras

Sindicato destaca a centralidade das ações afirmativas para a promoção de equidade, denuncia a perda de 175 vagas reservadas na UFF, e exige que a universidade avance na reparação histórica

Faz pouco mais de dois anos que o Andes-SN lançou a campanha "Sou Docente Antirracista", que conta com a adesão da Aduff e de outras seções sindicais na luta por uma Educação mais igualitária. Mas mesmo antes do início da campanha, a Aduff tem defendido a importância das pautas que sinalizam a interface entre classe, gênero e raça. Entre os assuntos relevantes para a seção sindical estão as políticas de ações afirmativas, envolvendo tanto a reserva de vagas para docentes em concursos públicos quanto as comissões de heteroidentificação. 

"A luta pela efetivação da implementação das cotas data de antes da regulamentação da lei nacional, mas ganha uma centralidade nesse ano. No 43º Congresso do Andes-SN (Vitória - ES), no âmbito da campanha "Sou Docente Antirracista", foi deliberado que as seções sindicais realizem o acompanhamento permanente "até que as vagas perdidas pelo descumprimento da lei 12.990/2014 sejam completamente reparadas nas universidades, IF’s e CEFET’s", explicou Susana Maia, docente da UFF em Rio das Ostras e diretora da Aduff-SSind. 

De acordo com ela, a cada congresso do Sindicato Nacional será feita uma avaliação desse tema, que está entre as reivindicações da Aduff à Reitoria da UFF. A professora explicou que levantamento realizado pelo GTPCEGDS (Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as Questões Étnico-Raciais, de Gênero e Diversidade Sexual) da Aduff concluiu que a UFF deve 175 vagas para docentes negros e negras, considerando os concursos realizados na última década. 

Em 2019, ao lado de um coletivo de docentes negros e negras, a seção sindical criticou a forma como a lei de cotas estava sendo aplicada na UFF. A luta foi para que a reitoria aplicasse corretamente a norma, o que se deu a partir dos concursos de 2020. Mais recentemente, a seção sindical demandou à administração central uma alternativa para reparar as vagas relativas a esse período de não implementação e também após a realização de concursos com a adequação, mas que não atingem o mínimo de 20% disposto na lei.

"A proposta é dialogar e pressionar a reitoria a buscar uma estratégia para sanar essa "lacuna". Algumas universidades têm construído iniciativas como aumento do percentual de vagas em concursos, concursos exclusivos para negros e negras", disse Susana Maia. 

Para a dirigente sindical, é preciso pressionar a UFF a apresentar uma proposta no âmbito da universidade – o que somente será possível com a força da mobilização da comunidade acadêmica. "É necessário que se efetive a reparação histórica e que tenhamos negros e negras compondo os quadros de professoras(es) e pesquisadoras(es) das universidades", considerou Susana. 

A demanda pela reposição dessas vagas perdidas foi apresentada pela Aduff à Reitoria, em reunião realizada no dia 11 de setembro deste ano. "Na ocasião, a administração central se comprometeu a estudar o assunto. No entanto, demonstrou preocupação sobre a possibilidade de ampliação do percentual de cotas com a justificativa de insegurança jurídica. Aguardamos um retorno sobre o tema. Ainda não chegou e vamos cobrar", afirmou Raul Nunes, docente da Faculdade de Educação da UFF e secretário-geral do sindicato.

Da Redação da Aduff

Additional Info

  • compartilhar: