Nov
19
2025

20 de novembro: Dia de luta e de resistência!

Aduff saúda a população negra neste dia 20 de novembro e reafirma o compromisso com a luta antirracista. Sindicato defende mobilização para enfrentamento ao racismo e garantia de políticas públicas que promovam equidade

A Aduff segue em luta por uma Universidade e uma sociedade antirracista. E compreende que a busca por justiça racial não começa e nem se esgota em 20 de novembro, dia da Consciência Negra – data em que homenageamos Zumbi dos Palmares e todo o legado daqueles e daquelas que resistiram à escravidão e ao racismo no Brasil. 

A gestão do sindicato tem estado atenta aos debates que denunciam um sistema de opressões históricas, oriundo de um passado colonial que contribuiu para a perpetuação de desigualdades. Esse é um dos motivos pelos quais a Aduff reivindica maior representatividade e diversidade para o povo negro em diferentes espaços, a exemplo da Universidade.

A Aduff segue diretamente envolvida na campanha “Sou Docente Antirracista”, concebida pelo Andes-SN em 2024 e lançada no 'Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha' e no 'Dia Nacional de Tereza de Benguela', ambos comemorados em 25 de julho'. O sindicato de docentes da UFF também mantém sua articulação no âmbito do Grupo de Trabalho em Políticas de Classe, Étnico-raciais, Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) e do Grupo de Trabalho em Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA) do Andes-SN e no que se organiza na própria seção sindical, que abordam as temáticas raciais. Os GTs têm o objetivo de debater e pensar ações que rompam com as estruturas sociais que produzem exclusão para negros e negras, indígenas, mulheres, população LGBTQIA+ e todos os tipos de opressão. 

É nesse contexto que a Aduff vem participando ativamente nas discussões sobre a aplicação da lei de cotas na UFF, mais especialmente desde 2019. Ao lado de representantes do coletivo de docentes negros e negras, o sindicato, à época, sinalizou à Reitoria que a legislação em vigor havia sido mal aplicada na instituição desde o ano de 2014. A administração central se comprometeu a constituir um grupo de trabalho para debater o tema – o que foi feito e trouxe ganhos já no concurso posterior. Entretanto, ainda é preciso que a Reitoria da UFF repare as 175 vagas que deveriam ter sido destinadas aos candidatos e às candidatas negras e que foram perdidas ao longo da última década, como estudo realizado e publicizado recentemente pela Aduff.  

O sindicato de docentes da UFF segue a deliberação do 43º Congresso do Andes-SN, que definiu pelo acompanhamento e pela reivindicação de concursos que reponham o quantitativo de vagas perdidas, conforme o histórico de Universidades, Institutos Federais e Colégios Federais. O tema esteve em debate em reunião envolvendo a reitoria da UFF e a diretoria da Aduff no último dia 11 de setembro. Outro tema tratado pela representação do sindicato de docentes foi apresentado em nota conjunta, assinada também pelo DCE e pelo Sintuff, pontuando discordâncias em relação à forma como as comissões de heteroidentificação racial têm atuado na Universidade, apesar de reconhecer a importância desses espaços como um mecanismo para a garantia de direitos.

A gestão da Aduff tem se posicionado pelo fim da escala 6x1 (redução da jornada laboral sem que haja impacto nos salários) e se integrou à campanha nacional "Plebiscito Popular por um Brasil mais Justo". Ao considerar as interfaces entre gênero, raça e classe, o sindicato de docentes entende que as mulheres negras estão, em maior número, em ocupações profissionais que beiram a exploração e a precarização das condições salariais e de trabalho.     

É também por entender que a população negra, majoritariamente, reside, trabalha e/ou transita em áreas periféricas que a Aduff não dissocia o recorte racial da violência promovida pelo Estado. Portanto, a gestão da Aduff tem se posicionado contrariamente à política de segurança pública que resulta no extermínio da população periférica, a exemplo da desastrosa operação policial empreendida pelo Estado do Rio de Janeiro ao final do mês de outubro. A seção sindical esteve representada em manifestações contra a violência, reivindicando o respeito aos direitos humanos. No dia 31 de outubro, foi ao ato unificado no Campo do Ordem, na Comunidade Vila Cruzeiro, na Penha (RJ), cujo mote era: "Chega de Massacre! Fora Cláudio Castro! Paz sem voz é medo!"

Os e as dirigentes do sindicato também estiveram nas atividades do dia 5 e do dia 10 de novembro, no Palácio Guanabara (Laranjeiras) e na Alerj (Centro do RJ), respectivamente, que reiteram a força da unidade dos movimentos sociais, sindicais e populares na luta contra a extrema-direita no governo estadual: contra violência policial, pelo fim das privatizações, e em defesa de direitos dos serviços públicos. O mote "Onde faltam serviços públicos, sobra violência!", criado pelo Fórum de Servidores Públicos Federais do Rio de Janeiro, sintetiza o projeto político do governo estadual.

Em diálogo com a representação dos/ das estudantes e dos técnicos e das técnicas-administrativas da UFF, a Aduff realizou uma atividade integrada no último dia 18, a fim de refletir sobre a questão racial na Universidade. Houve uma mesa intitulada: "Cotas raciais e a garantia de acesso de estudantes e docentes na Universidade", com a participação do convidado Henrique Moreira, doutorando em Ciências Humanas com ênfase em Sociologia (PPGSA/UFRJ), e da Aduff, do Sintuff e do DCE. Após, ocorreu a roda de conversa "Resistência frente a ação violenta do Estado sobre os corpos negros das periferias", com a presença de representantes das Mães da Maré, da Associação de moradores do Alemão, e da ouvidoria geral da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. 

A Aduff estará presente, no dia 25 de novembro, na capital federal, para somar à Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver – aquela ocorre dez anos após a primeira edição do movimento construído por mulheres negras de todo o Brasil, para exigir melhores condições de vida para todas. 

A partir dessas iniciativas, o sindicato saúda a população negra neste dia 20 de novembro e reafirma o compromisso com a luta antirracista no campo institucional e social, compreendendo que para enfrentar o racismo é necessário haver mobilização permanente e a construção de políticas que garantam equidade. Esse é o percurso que temos trilhado. E ele será ainda mais vitorioso se você, professor e professora, estiver ao nosso lado.

Da Redação da Aduff

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