Os movimentos sociais, sindicais e populares promoveram, nas duas últimas semanas, nos dias 5 e 10 de novembro, protestos no Rio de Janeiro. O primeiro deles – ocorrido no Largo do Machado com caminhada até o Palácio Guanabara, sede do governo estadual – denunciou as políticas e ações do governo Cláudio Castro, incluindo a operação policial realizada no dia 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em mais de cem mortes e repercussão nacional e internacional. O segundo ato, no dia 10, ocorreu no Buraco do Lume (Centro do Rio), para protestar contra a Reforma Administrativa (PEC 38) enquanto o tema era discutido em audiência pública na Alerj.
"O ato Fora Cláudio Castro veio num contexto em que o governador promoveu a maior chacina, não só da história do Rio de Janeiro, mas da história do Brasil, com vistas a recuperar a popularidade para as eleições do próximo ano. É um momento também em que ele está sob a mira do Tribunal Superior Eleitoral, que já tem um voto favorável para a cassação do seu mandato e sua inelegibilidade", considerou Raul Nunes, professor da Faculdade de Educação da UFF e diretor da Aduff-SSind.
Segundo o professor, o governador tem se valido da chacina eleitoral para se promover, uma vez que não há candidato viável da extrema-direita ao governo do estado. Além disso, não havia chances, na avaliação de Raul, de Cláudio Castro se eleger para o Senado. "Então, como ele se vende agora como um político matador – o que faz muito sucesso no Rio de Janeiro –, isso pode ajudá-lo a construir sua candidatura ao Senado. Ao mesmo tempo, endossa a imagem do seu secretário de segurança como um possível candidato ao Palácio da Guanabara", analisou o dirigente da Aduff.
Raul Nunes também revelou à imprensa do sindicato que os manifestantes estiveram por mais de uma hora em frente ao Largo do Machado, parados pela polícia, porque uma tropa de choque se formou e não deixava o ato passar para o Palácio do Guanabara. "Em frente à sede do governo estadual havia um ato de bolsonaristas que pediam a libertação dos presos no 8 de janeiro. Depois, houve uma manifestação de policiais civis em memória dos policiais mortos na china promovida por Cláudio Castro".
A seção sindical de docentes da UFF, uma das organizadoras do ato do dia 5, também sinalizou à sociedade a necessidade de barrar as medidas de privatização em curso no estado, como a venda de parte da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), a alienação de imóveis públicos, os cortes em áreas como Saúde e Educação e o déficit de R$ 9 bilhões no regime previdenciário estadual.
"A confluência entre a Reforma Administrativa e a violência policial aponta para a lógica do Estado mínimo", diz diretor da Aduff
O ato do dia 5 também repudiou a Reforma Administrativa, em tramitação no Congresso Nacional como proposta de emenda constitucional (PEC 38). Foi também contra a proposta que, no dia 10, o Fórum de Servidores Públicos Federais do Rio de Janeiro realizou mais uma ação, dessa vez em frente à ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado do RJ), no mesmo momento em que acontecia uma audiência pública sobre o tema.
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"Essa audiência pública foi convocada a partir de uma interlocução da Regional Rio de Janeiro do Andes-SN com o mandato do deputado estadual Flávio Serafini. Contou com diversos atores políticos do funcionalismo público do Estado do Rio de Janeiro, como o SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do RJ), e também teve a participação do Sindicato Nacional, representado na pessoa do professor Marco Soares (Unifesp)", afirmou Raul Nunes.
A manifestação do dia 10 foi convocada por diversas entidades do funcionalismo público — entre elas Aduff-SSind, Andes-SN, Sintuff, Sepe e Sindisep-RJ.
"Denunciamos os ataques aos serviços públicos, agravados pela PEC 38, e o crescimento da violência de Estado, a partir da chacina cometida pelo governo Claudio Castro. Há uma confluência dessas duas medidas que desagua na ideia do Estado mínimo. O projeto do Estado mínimo sempre foi o da redução do Estado na garantia de políticas públicas e de serviços públicos, concomitante ao aumento da presença do Estado do ponto de vista da violência física, da violência armada", disse Raul.
Para o diretor da Aduff, tanto a Reforma Administrativa, encaminhada pelo deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ), quanto a chacina cometida pelo governador Claudio Castro, fazem parte de uma mesma visão de sociedade que impera cada vez mais no Rio de Janeiro. "Essa realidade é evidenciada cada vez mais nos sucessivos acordos de recuperação fiscal, que reduzem a capacidade de administração do Estado, e na violência que reverbera contra sua própria população", apontou o professor.
O ato do dia 10 estava inicialmente agendado para 29 de outubro, mas a mobilização foi adiada em razão da insegurança gerada pela operação policial do governo de Cláudio Castro, realizada em 28 do último mês.
Da Redação da Aduff







