Set
05
2025

Plenária Comunitária encerra Sindicato Itinerante em Rio das Ostras com indicativo para construção conjunta das mobilizações dos dias 10 e 11/09

Além da plenária com a participação dos 3 segmentos, iniciativa contou com atendimento jurídico para docentes sindicalizados, passagens nas salas de aula, urna para votação no plebiscito popular, exibição do filme “Vida além do trabalho” e realização de assembleia geral com mesa central em Rio das Ostras

Intensificar a articulação dos três segmentos na UFF de Rio das Ostras para enfrentar os desafios da conjuntura, os ataques à Universidade e aos serviços públicos. Essa foi a síntese dos debates realizados na Plenária Comunitária dos três segmentos, que encerrou as atividades do Sindicato Itinerante em Rio das Ostras, nesta quinta-feira (04).

A iniciativa, que visa dialogar e acolher as demandas de docentes da UFF, a partir da realidade multicampi, também contou com atendimento jurídico para docentes sindicalizados, campanha de sindicalização, passagens nas salas de aula da unidade e urna para votação no plebiscito popular pelo fim da escala 6X1.

“A atividade do Sindicato Itinerante é voltada para os professores, mas como aqui em Rio das Ostras a gente tenta sempre articular as pautas de forma unificada, pensando as estratégias de luta de forma conjunta, decidimos, ao invés de realizar uma roda de conversa entre docentes, convidar os três segmentos para uma plenária comunitária, aberta. A ideia é debater a conjuntura, os nossos desafios e como os três segmentos podem se articular, não para resolver, mas para enfrentar esses desafios”, explicou a tesoureira da Aduff e professora da UFF de Rio das Ostras, Susana Maia.

No espaço, professores(as), estudantes e técnicos(as)-administrativos(as) indicaram a construção conjunta das atividades de mobilização dos dias 10 e 11 de setembro, com a retomada das discussões sobre a pauta interna do campus. Horas antes, em assembleia geral descentralizada e simultânea, as e os docentes da UFF haviam deliberado pela realização de mobilização nos dia 10 e 11 de setembro, com paralisação de 24h na quinta-feira (11).

A ação integra a semana de lutas do funcionalismo público federal contra a proposta de Reforma Administrativa que está sendo debatida na Câmara dos Deputados. O informe sobre a paralisação docente foi dado no início da plenária comunitária pela presidente da Aduff-SSind, Maria Cecília de Castro.

A paralisação também terá adesão dos(as) técnicos(as) administrativos(as) da Universidade, que deliberaram em assembleia pela suspensão da atividades de trabalho por 48h, nos dias 10 e 11/09.

Mobilização na UFF e vida além do trabalho: por um Brasil mais justo!

A diretoria da Aduff-SSind propôs iniciar a plenária comunitária com a exibição do curta “Vida além do trabalho: por um Brasil mais justo” (18min), lançado pelo Andes-SN. A produção busca fortalecer e ampliar o debate público sobre os efeitos perversos da jornada 6x1 — seis dias de trabalho para apenas um de descanso. A obra de audiovisual, que conta com participações como a da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e do professor Ricardo Antunes, também impulsiona a realização do Plebiscito Popular por um país mais justo.

Até o final de setembro, urnas do plebiscito estarão circulando por todo o país perguntando a opinião da população brasileira sobre o fim da escala 6x1, sem redução salarial, e sobre a taxação dos super-ricos no Brasil, com a isenção de imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês.

Durante o Sindicato Itinerante, a urna do plebiscito esteve até o início da noite na entrada do Instituto de Humanidades e Saúde (IHS) de Rio das Ostras. Estudante do 5° período do curso de Serviço Social, Matheus Benites falou aos estudantes recém-chegados na Universidade sobre a importância de participarem das atividades realizadas na universidade.

“Venham, estejam presentes, participem dos debates, convidem os alunos que não estão aqui, convidem pessoas de fora. A UFF está aberta para todo mundo e a universidade não é só a sala de aula”, lembrou. “Muitos estudantes do Serviço Social trabalham na escala 6x1 e às vezes não conseguem participar dos eventos porque estão trabalhando, mas se puderem, venham. E convidem todo mundo para votar no plebiscito”, acrescentou. 

Também estudante do 5° período, Isabel Melo ressaltou a importância dos debates pelo fim da escala 6x1. “Nesse momento, a gente está precisando de pautas populares e de falar sobre essas questões que sufocam o povo brasileiro. Nós estamos ficando acostumados com a usurpação de direitos, a gente precisa ter espaço para respirar. E se não for de forma conjunta, a gente não vai chegar muito longe. É preciso que a gente se posicione, que as instituições se posicionem, que a UFF se posicione. Tem gente brigando e a gente tem que brigar junto!”, afirmou.  

Para Katia Marro, docente do curso de Serviço Social da UFF de Rio das Ostras, o curta produzido pelo Andes-SN ajuda a evidenciar como a pauta do plebiscito popular tem o poder de dialogar com os trabalhadores.

“Cerca de 33 milhões de brasileiros trabalham na escala 6x1 e 82% dos trabalhadores do setor de comércio e serviço em escala 6x1 ganham menos de dois salários mínimos. Se a gente pensar nos impostos, na taxação, as pessoas ficam com pouquíssimo dinheiro. Se essa é uma linguagem capaz de romper os muros da classe dominante, a gente precisa aproveitar isso para dialogar com nossos familiares, com os territórios em luta, com as nossas comunidades. Acho que a gente poderia aproveitar esse momento de mobilização na semana que vem para se encontrar e estar todo mundo aqui, como o Matheus convidava antes. Aqui em Rio das Ostras, temos um histórico de lutas muito importante em defesa da nossa universidade. São pautas internas que a galera que está chegando talvez não tenha tido contato ainda. Já que teremos a paralisação, poderíamos aproveitar esse movimento para a gente se conhecer, para trazer quem está chegando na universidade e debater  as nossas pautas, a luta pelo bandejão, pelos nossos prédios”, defendeu.

Estudante do curso de Produção Cultural, Talita Inayê de Oliveira Miguel agradeceu a presença do Sindicato Itinerante no campus, e em especial da presidente da Aduff, que veio de Niterói. "É bom receber pessoas de outros campi, investir tempo  nessas oportunidades de troca, encontrar pessoas de outros território da UFF e manter a nossa luta e o nosso movimento forte e unificado. Só nos encontrando e conversando entre nós para perceber e entender algumas questões. Por exemplo, todo mundo está sabendo que começou uma obra em Rio das Ostras, mas é obra de quê, é a do bandejão, perguntam? Não, não é do bandejão, mas deveria ser", afirma.  

Fôlego para renovar as lutas!

Integrante do Conselho de Representantes da Aduff pelo Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da UFF em Rio das Ostras, a professora Izabel Cafezeiro se disse emocionada com as atividades do Sindicato Itinerante no campus. “Foi um dia intenso, que começou logo cedo e está acabando agora à noite, mas foi um dia de grande participação de estudantes e professores. Foi lindo, emocionante e super valeu à pena. Tenho achado que esse é o caminho para a gente intensificar as lutas, principalmente nos campi do interior como Rio das Ostras, e dar uma outra dimensão para o sindicato”. Professora da UFF desde 1994, no final do ano passado Izabel se transferiu do Departamento de Computação em Niterói para o de Rio das Ostras. “Ainda estou conhecendo o campus, mas estou encantada. Temos agora essa responsabilidade na semana que vem de fazer a ocupação da universidade”, lembrou.

Diretora da Aduff e professora da UFF em Rio das Ostras, Renata Cardoso avalia que a realização do Sindicato Itinerante na unidade foi muito positiva. “A presença do jurídico qualifica bastante, mas tem algo de especial também nas atividades que são construídas coletivamente com outros segmentos da universidade. Nesse sentido, a plenária comunitária foi muito interessante e faz parte da nossa cultura aqui em Rio das Ostras. Acho que a gente encerra o Sindicato itinerante com o coração repleto de alegria e na expectativa de que isso contribua também para as mobilizações futuras", disse.

Empossada no final do ano passado, a professora Gabrielle Gomes destaca a importância da Aduff estar nos campi do interior. “É excelente não só para nós docentes, mas também dá força para os estudantes no debate das nossas pautas, que não são poucas. Foi um dia que deu fôlego para renovar as lutas e estreitar a relação entre os três setores”, avalia.

Da Redação da Aduff | por Lara Abib

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