Outros crimes como este vão ocorrer se Emenda Constitucional 95 não for revogada, afirma presidente da Aduff-SSind

DA REDAÇÃO DA ADUFF

Centenas de pessoas se reuniram na manhã do feriado de 7 de Setembro, na Zona Norte do Rio, para levar solidariedade ao Museu Nacional e à comunidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Também defenderam a revogação da Emenda Constitucional 95, que congela os orçamentos dos serviços públicos por 20 anos, e o fim dos cortes nos orçamentos da educação, da cultura, da pesquisa, da Ciência e Tecnologia e das áreas sociais. No mesmo horário, na av. Presidente Vargas, paralelo ao desfile oficial de 7 de Setembro, Dia da Independência, acontecia o tradicional Grito dos Excluídos, que também criticou o corte de verbas das áreas sociais.

A manifestação ocorre cinco dias após o Museu Histórico Nacional, que completa 200 anos de existência neste ano, ter sido destruído por um incêndio. "O valor do que se perdeu ali é incalculável, o que [em grande parte] só vamos sentir com o passar dos anos", disse a professora Marina Tedesco, a Nina, presidente da Associação dos Docentes da UFF (Aduff-SSind), seção sindical do Andes-SN."Os responsáveis pelo que aconteceu são os governos, que há anos não repassam o orçamento [integral] da universidade", disse.

A docente criticou, ainda, os setores que, após o primeiro crime, tentam cometer o segundo responsabilizando e criminalizando a gestão da universidade, os pesquisadores e servidores da UFRJ. Com o congelamento por 20 anos dos orçamentos sociais, esse vai ser o primeiro de uma série de outros crimes. É isso [que vai acontecer] se a Emenda Constitucional 95 não for revogada", disse.

O estudante da UFF Alexandre Aguena, falando pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), também prestou solidariedade à comunidade universitária da UFRJ e responsabilizou os cortes e o `ajuste fiscal` nas contas públicas pelo que aconteceu com o Museu Nacional. "O culpado tem nome e não está na UFRJ", disse.

O discente disse ainda que essa política de cortes nos orçamentos tem aumentado em muito a evasão nas instituições públicas de ensino superior. "O abandono dos estudantes por falta de verba é cotidiano", afirmou.

Representantes indígenas também compareceram ao ato. A manifestação começou, pouco depois das 9 horas, em frente a Aldeia Maracanã, o prédio abandonado adjacente ao estádio do Maracanã que as comunidades indígenas reivindicam para instalação de um museu. Foi concluído, cerca de dois quilômetros e quase cinco horas depois, em frente ao Museu Nacional. "Mais uma vez a história indígena foi queimada", disse Carlos Doethyro Tukano, referindo-se ao significativo acervo e estudos da cultura indígena que o Museu Nacional abrigava. Ao final, o representante indígena, natural do Alto Rio Negro, na Floresta Amazônica, há 21 anos radicado no Rio de Janeiro, entoou uma canção em sua língua materna. Pouco depois, explicou à reportagem que a música era um agradecimento pela natureza e pelas vidas - e ecoou, ainda, como um canto da esperança de que o Museu Nacional renascerá das cinzas.

DA REDAÇÃO DA ADUFF
Por Hélcio Lourenço Filho

fotos: Ato no 7 de Setembro, feriado da Independência: início na Aldeia Maracanã e término no Museu Nacional - autor: Samuel Tosta